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Mais 66 novos casos de coronavírus são confirmados em ‘prisão flutuante’

Cruzeiro turístico transformou-se em versão na água de Wuhan, a cidade chinesa onde surgiu a epidemia; 136 passageiros desenvolveram doença respiratória

Por Da Redação - Atualizado em 11 fev 2020, 17h10 - Publicado em 11 fev 2020, 17h07

Mais 66 passageiros do cruzeiro em quarentena Diamond Princess, ancorado na costa do Japão, foram diagnosticados com coronavírus na segunda-feira 10. O número total de infectados já chega a 136 no navio, e os turistas devem enfrentar pelo menos mais nove dias de isolamento. O barco tem a maior concentração de casos – cerca de 23% – do vírus respiratório fora da China continental. O Diamond Princess agora é uma versão flutuante de Wuhan, a cidade chinesa de 11 milhões de habitantes que é o epicentro do surto, e está sujeita a um bloqueio por semanas.

A embarcação está de quarentena desde que chegou ao porto de Yokohama, ao sul de Tóquio, no dia 3 de fevereiro. Após completar o itinerário de 14 dias de viagens, o Diamond Princess foi impedido de desembarcar na cidade porque um de seus passageiros contraíra a doença respiratória. Em todo o mundo, há 43.103 pessoas infectadas e 1.018 óbitos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na segunda-feira, os passageiros receberam novas máscaras e pacotes de lenços com álcool. O Ministério da Saúde do Japão afirmou que 439 pessoas foram submetidas a exames no navio. Mais de 3.000 passageiros ainda não foram testado e fizeram apenas exames de saúde iniciais.

Autoridades japonesas informaram que a quarentena no navio se estenderá até dia 19 de fevereiro. Contudo, a OMS declarou no domingo que o período pode ser estendido “conforme apropriado”, ou seja, se novos casos forem confirmados. Inicialmente, esperava-se que o isolamento terminasse no dia 5 de fevereiro.

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Enquanto alguns passageiros se distraem jogando cartas, colorindo, e até assistindo à live da premiação Oscar, outros apresentam um estado de ansiedade e irritabilidade devido ao tempo passado em isolamento.

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O jornal britânico The Guardian reportou que o passageiro britânico David Abel disse em um vídeo no Facebook que “muitos dos passageiros estão com um pouco de febre de cabine” – a sensação de estar com raiva e entediado por ficar em um espaço fechado, semelhante à claustrofobia. “A depressão está começando a se instalar”, afirmou.

Outra passageira, Yardley Wong, de Hong Kong, declarou que os novos diagnósticos da doença afetaram seu humor. “Eu preciso chorar para aliviar a ansiedade”, ela publicou no Twitter. Dois casais australianos a bordo do Diamond Princess compartilharam com o tablóide britânico Daily Mail filmagens da cabine onde estão hospedados, chamando o navio de “prisão flutuante”.

Até agora, ao menos 10 tripulantes foram infectados. As nacionalidades dos 66 novos passageiros infectados foram divulgadas pela companhia de turismo do navio. São quatro australianos, um canadense, um inglês, 45 japoneses, três filipinos, um ucraniano e doze americanos.

 

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