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Maduro usa gás lacrimogêneo brasileiro para reprimir protestos

Documentos revelam que mais de 70.000 bombas foram adquiridas no Brasil pelo governo da Venezuela

Por Leonardo Coutinho Atualizado em 16 jun 2017, 20h40 - Publicado em 16 jun 2017, 20h24

Nos últimos dois meses mais de 70 pessoas morreram nos protestos conta o governo do presidente Nicolás Maduro, da Venezuela. Desde de abril, milhares de venezuelanos enfrentam a polícia diariamente nas ruas de Caracas e de dezenas de outras cidades pelo país. A repressão às manifestações, que ganharam destaque mundial pela brutalidade das forças de segurança, tem um importante combustível brasileiro. Oficiais venezuelanos descontentes com o regime chavista vazaram imagens do contrato de aquisição de mais de 70 000 bombas de gás lacrimogêneo produzidas no Brasil.

Documentos Venezuela
Documento que revela a exportação de gás do Brasil para Venezuela: mais de 70.000 bombas Reprodução/VEJA

O armamento brasileiro é esperado pelo governo Maduro para garantir o aparato de repressivo empregado contra os manifestantes. Segundo o documento, assinado pelo diretor da empresa Condor, com sede no Estado do Rio de Janeiro, o carregamento no valor de 1 milhão de Euros deveria ser pago antecipadamente em sua totalidade, para que a carga pudesse ser remetida. Uma exigência compreensível pelo grau de insolvência da Venezuela.

Documentos Venezuela
Documento sobre a exportação de gás lacrimogêneo para Venezuela Reprodução/VEJA

Consultada por VEJA, a empresa Condor negou-se a informar se já foram realizados os embarques de gás para o arsenal chavista. Por meio de nota, a empresa disse que “em 32 anos fabrica exclusivamente tecnologias não letais e comercializa seus produtos para mais de 50 países, entre os quais a Venezuela, com quem tem no momento dois contratos”.

Ainda segundo a nota, a empresa afirma estar isenta de autorizações do governo brasileiro para o envio de seus produtos para o exterior e que até o momento não existe restrição para o envio de gás lacrimogêneo para Venezuela. “Não tecemos juízo de valor sobre as políticas adotadas por nossos clientes, mas entendemos que a suspensão de fornecimento de equipamentos como gás lacrimogêneo e spray de pimenta poderá ter consequências dramáticas, posto que não restará alternativa às forças de segurança locais a não ser o uso de armas de fogo”, afirma a nota.

 

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    Há duas semanas, a oposição venezuelana solicitou ao Brasil a suspensão do envio desse tipo de armamento para Caracas. Segundo uma fonte do Itamaraty, os ministros Aloysio Nunes Ferreira, das Relações Exteriores, e Raul Jungmann, da Defesa, receberam uma determinação do Planalto para que sejam revistas as regras para comercialização desses produtos. “Não basta proibir a proibição de envio para Venezuela. Temos que evitar a triangulação desse material”, disse o diplomata.

    A população exige eleições como forma de tentar colocar fim nas crises econômica e humanitária que se abaterem sobre o país. Com uma inflação prevista para o ano de 700% e com um índice de desabastecimento de alimentos e produtos básicos superior a 80%, a maioria dos venezuelanos vivem em estado de penúria. Para cada uma das bombas utilizadas para reprimir os manifestantes, o regime de Nicolás Maduro paga cerca de 15 Euros – mais que o dobro do salário mínimo venezuelano.

     

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