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Maduro é covarde e tem medo, diz opositor Leopoldo López

Dirigente preso acusado de incitar protestos contra governo fez declarações em sua conta no Twitter, reproduzidas em carta lida por dirigentes de seu partido

Um dia depois de ter seu indiciamento confirmado pela Justiça por seu suposto envolvimento nos protestos de 12 de fevereiro contra o governo, o líder opositor venezuelano Leopoldo López anunciou que vai continuar pedindo, mesmo na cadeia, a saída de Nicolás Maduro da Presidência do país. Preso desde 18 de fevereiro após ser apontado como um dos responsáveis por incitar a violência na primeira manifestação contra Maduro, quando três pessoas morreram, López chamou o presidente de “covarde” e disse que o chavista tem motivos para temer a oposição.

“Para Maduro: tens razão de ter medo. Abusa do poder porque não tem liderança. Covarde, não poderá contra o bravo povo da Venezuela”, afirmou o opositor em sua conta no Twitter, que desde sua prisão é adminstrada por sua mulher, Lilian Tintori. A advertência de López também foi expressa através de carta lida por dirigentes de seu partido, o Vontade Popular (VP).

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Após a leitura da carta, seus companheiros de partido anunciaram que será realizada uma concentração no próximo domingo, em Caracas, para colocar o país no caminho “da mudança de regime”, garantindo que os manifestantes se manterão nas ruas nas semanas seguintes.

O coordenador adjunto do VP, Freddy Guevara, reiterou que a exigência pela saída de Maduro “sempre foi um caminho democrático, pacífico e institucional” e que o seu partido continuará com o trabalho para conseguir “a transição rumo à democracia pela via pacífica, constitucional e democrática”.

Decisão – Em sua mensagem, o dirigente Leopoldo López afirmou que a juíza que decidiu, na madrugada de quinta-feira, levá-lo a julgamento e mantê-lo preso junto com outros quatro jovens “vendeu sua consciência ao poder corrupto” ao ratificar a medida. A juíza Adriana López decidiu processar López após três longos dias de uma audiência preliminar pelas acusações contra o político opositor e os estudantes Cristian Holdack, Marco Coello, Damián Martín e Ángel González.

A Promotoria detalhou que “Marco Coello e Christian Holdack foram acusados de serem os autores dos delitos de incitação pública de prática criminosa, incêndio, atos de vandalismo e formação de quadrilha, enquanto Ángel González e Damian Martín foram acusados de incitação de prática criminosa”.

“No caso de Coello e Holdack, o tribunal confirmou sua privação de liberdade e os réus permanecerão detidos na delegacia municipal de Chacao. Em relação a González e Martín, foi mantida a medida cautelar que consiste na apresentação periódica, a cada oito dias, diante da referida instância judicial”.

O também dirigente do VP David Smolansky garantiu que a juíza tomou a decisão “após ter recebido um telefonema que fez com que ela mudasse sua opinião”. Smolansky criticou, além disso, o processo de diálogo, do qual o VP não faz parte, com a coligação de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) iniciado em abril pelo governo, conversas que já estão suspensas há quase um mês depois, por decisão do grupo opositor, que alegou não ter visto “gestos” do Executivo.

O secretário-executivo da MUD, Ramón Guillermo Aveledo, disse hoje para uma emissora local que o diálogo com o governo é uma janela que “deve estar sempre aberta” porque pode ser necessário, apesar de atualmente estar estagnado. Anteriormente, Aveledo lamentou, por meio do Twitter, a “decisão injusta, tristemente previsível, contra Leopoldo, Coello, Holdack, Martín e González”.

Capriles – A decisão também foi criticada na mesma rede social pelo líder da oposição e ex-candidato à Presidência Henrique Capriles. “Não são juízes, são emissários do governo com sua justiça podre”, disse. “Que a injustiça nos dê mais forças para que continuemos nos unindo e lutando pelas mudanças que a nossa maltratada pátria merece”, acrescentou.

De acordo com a equipe jurídica de López, o julgamento pode ter início no fim de agosto. Os advogados afirmaram que este será um processo em que estarão “amarrados”, pois “todas as provas” apresentadas pela defesa foram recusadas.

Os incidentes do dia 12 de fevereiro foram o estopim para uma onda de protestos contra o governo que deixou 42 mortos e mais de 800 feridos ao longo de três meses. Por causa de uma das mortes daquele dia, oito membros das forças de segurança e do Exército estão detidos.

(Com agência EFE)