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Líder da oposição britânica chama Theresa May de “mulher burra”

UE adota pacote para evitar paralisação do tráfego aéreo, suspensão do mercado de derivativos e transtornos para cidadãos de lado a lado

Por Da Redação - Atualizado em 19 dez 2018, 15h36 - Publicado em 19 dez 2018, 15h28

O líder da oposição no Reino Unido, o trabalhista Jeremy Corbyn, foi alvo de críticas nesta quarta-feira, 19, depois de aparentemente ter chamado a primeira-ministra, Theresa May de “mulher burra”.

O caso aconteceu durante uma discussão no Parlamento britânico sobre o Brexit. May criticava a tentativa do oposicionista de organizar uma moção de censura contra sua liderança, quando Corbyn foi surpreendido pelas câmeras de televisão murmurando o insulto.

O vídeo ganhou muito espaço no Twitter, e membros da bancada conservadora passaram a protestar contra a atitude, gritando as palavras “vergonha” e “escândalo”. Vários deputados pediram ao presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, que tomasse medidas contra Corbyn.

No entanto, Bercow negou-se a reprimir o líder trabalhista, garantindo que não havia “visto nem ouvido nada”, antes de ressaltar que qualquer culpado deste tipo de atos deveria pedir desculpas.

May também protestou contra o insulto. “No centenário da obtenção do direito ao voto para as mulheres (no Reino Unido), todo mundo deveria estimular as mulheres a virem a esta câmara (…) e utilizar, portanto, uma linguagem adequada para se referir a seus membros do sexo feminino”.

A líder conservadora na Câmara dos Comuns, Andrea Leadsom, também se envolveu na discussão e dirigiu então suas críticas contra Bercow, que há alguns meses também foi acusado de chamar uma deputada da oposição de “burra”.

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Leadsom perguntou ao presidente da Câmara por que ele mesmo não havia se desculpado  depois do ocorrido. “A questão já foi tratada e não voltarei a fazer isso”, respondeu Bercow.

Um porta-voz do Partido Trabalhista negou que Corbyn tenha pronunciado as palavras “mulher burra” e afirmou que ele tinha dito “gente burra”.

“Ele deixou claro que não disse ‘mulher burra’ e que não tem tempo para nenhum tipo de ataque misógino”, acrescentou.

Corbyn apresentou na segunda-feira 17 uma moção de censura contra Theresa May, após a recusa da primeira-ministra em convocar uma votação no Parlamento sobre o pacto fechado com a União Europeia (UE) para o Brexit antes de janeiro.

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A premiê chegou a um acordo com os líderes da União Europeia no final de novembro, mas encontra grande resistência no Parlamento ao texto e dentro de seu próprio partido para aprová-lo.

Brexit sem acordo

Diante da possibilidade de que o pacto não seja aprovado, a União Europeia e o Reino Unido já se preparam para um divórcio sem um pacto definido.

A Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, publicou nesta quarta-feira um pacote de 14 medidas para proteger os setores mais afetados por um possível Brexit sem acordo, tais como alfândega, serviços financeiros e transporte aéreo. O plano será “temporário, limitado em seu alcance e unilateral”.

Na área dos direitos dos cidadãos, a Comissão pede aos Estados-membros que abordem o assunto de maneira “generosa”, sempre que o Reino Unido fizer o mesmo, e propõe que sejam oferecidas garantias para os cidadãos britânicos que vivem legalmente em um país europeu manterem seu status depois de 29 de março.

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Bruxelas também pede aos governos dos países da União Europeia que garantam a segurança jurídica e os direitos adquiridos pelos cidadãos de trabalhar e contribuir para a previdência social em outro país do bloco.

Também haverá um esquema temporário de transição para contratações, que permitirá que cidadãos europeus e trabalhadores de qualquer qualificação de outros países de “risco baixo” entrem em solo britânico sem uma oferta de emprego por até 12 meses de cada vez.

Para os serviços financeiros, a União Europeia estabeleceu que, em algumas áreas sensíveis, como o mercado de derivativos, serão estabelecidas equivalências temporárias com o Reino Unido para evitar ao máximo qualquer tipo de interrupção dos negócios.

Para o transporte aéreo, o bloco propõe medidas que busquem evitar a paralisação total do tráfego aéreo entre o Reino Unido e o restante da UE.

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Segundo a Comissão Europeia, contudo, as medidas apresentadas não podem reduzir o impacto geral da falta de acordo sobre o Brexit. Tratam-se de iniciativas “limitadas a áreas específicas, nas quais é absolutamente necessário proteger os interesses vitais da União Europeia e nas quais as medidas de preparação em si mesmas não são suficientes”, afirmou o órgão.

“Há um acordo sobre a mesa, e a melhor solução é ratificar esse acordo. Isso reduziria as possíveis interferências e nos permitiria preparar de maneira adequada para a futura relação entre a União Europeia e o Reino Unido”, explicou o vice-presidente da Comissão Europeia para o Euro, o ex-primeiro-ministro da Letônia Valdis Dombrovskis.

(Com EFE, Estadão Conteúdo e AFP)

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