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Líbia vive expectativa por onda de protestos nesta sexta

Rebeldes prometem grandes manifestações; forças de Kadafi bombardeiam Brega pelo terceiro dia seguido

Os rebeldes líbios prometem realizar grandes manifestações pelo país nesta sexta-feira, dia que se tornou simbólico desde o estopim das revoltas no mundo árabe, na Tunísia.

Os grupos oposicionistas esperam organizar protestos nas principais cidades, inclusive na capital Trípoli, ainda dominada pelas forças fiéis ao ditador Kadafi. Há um receio na comunidade internacional de que os protestos desta sexta-feira sejam igualmente marcados pela violência que caracterizaram as manifestações da última semana, quando tropas de Kadafi chegaram a abrir fogo contra grupos de oposicionistas.

Bombardeios – Uma nova ofensiva aérea das forças de Muamar Kadafi bombardeia a cidade de Brega na manhã desta sexta-feira. Trata-se do terceiro dia seguido que a região vive ataques dos aviões comandados pelas forças do governo.

Nesta semana, Brega chegou a ser retomada pelos homens liderados por Kadafi, mas depois voltou às mãos dos rebeldes. Localizada no leste da Líbia, a cidade é considerada estratégida por sua proximidade a um importante terminal de petróleo.

Na quarta-feira, doze pessoas morreram durante a primeira tentativa das forças do governo de retomar a cidade, entre elas um menino de seis anos que estava pastoreando ovelhas na momento da ofensiva aérea.

Pressão – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se pronunciou nesta quinta-feira categoricamente favorável à saída do líder Muammar Kadafi do poder, ao afirmar que o ditador está “do lado errado da história” e “perdeu a legitimidade” para governar o país. Trata-se da primeira vez que o presidente americano pede em público a saída do ditador do poder. “Vou ser pouco ambíguo sobre isso. O coronel Kadafi deve deixar o poder”, declarou Obama.

Obama indicou que seu país estuda várias ações a serem tomadas em relação à Líbia, e não descartou a criação de uma zona de exclusão aérea sobre o país norte-africano, mas minimizou a importância da possibilidade de uma intervenção militar. “O que queremos é ter a capacidade de intervir potencialmente rápido se a situação se deteriorar”.

Mediação – O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assegurou nesta quinta-feira que Muammar Kadafi não deixará o poder na Líbia e afirmou que o ditador lhe manifestou a disposição de receber uma comissão de países e das Nações Unidas para que possam ver o que está acontecendo no país. Chávez explicou durante um ato do Partido Socialista Unido da Venezuela que conversou com Kadafi na terça-feira para consultá-lo sobre a disposição em aceitar sua proposta para deixar que uma comissão internacional de países visite a Líbia para fazer as vezes de mediador entre as partes do conflito.