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Letizia, uma nova vitrine para a moda espanhola?

Nova rainha-consorte pode ajudar a projetar estilistas do país ibérico

A proclamação de Felipe de Borbón como novo rei da Espanha está sendo vista como uma oportunidade de ouro pelos estilistas espanhóis que esperam exibir suas criações no corpo da sua bela mulher, Letizia, de 41 anos, que passará a ser chamada de rainha-consorte e que ao lado do marido vai tentar projetar uma nova imagem da monarquia.

Tradicionalmente, membros de famílias reais ou esposas de chefes de Estado acabam servindo como vitrines ou embaixadores da indústria da moda dos seus países de origem, mesmo que seus cargos sejam simbólicos – ou talvez mesmo por serem simbólicos. É o que ocorre quando Michelle Obama usa um vestido dos costureiros radicados nos EUA Jason Wu e Isabel Toledo ou quando a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, veste um britânico Alexander McQueen – que logo acaba esgotando nas lojas.

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Há dez anos, quando ainda trabalhava como jornalista e antes de se casar com Felipe, Letizia usava um estilo despojado, sem muito requinte. Quando a situação exigia, ela vestia roupas de grifes internacionais, como a Armani. Tudo mudou quando o príncipe das Astúrias cruzou seu caminho e ela foi obrigada a adotar roupas feitas na Espanha.

Nesta quinta-feira, durante a proclamação de Felipe como rei, Letizia vai usar um vestido criado pelo estilista espanhol Felipe Varela. Desde a sua entrada na família real, a princesa passou a exibir vestidos feitos pelo costureiro, que era pouco conhecido do grande público e cresceu como designer depois que Letizia o “adotou”. Suas roupas são caracterizadas por um estilo bem marcado, sem misturar influências distintas, e pela ausência de estampas. (Continue lendo o texto)

Ao jornal El Pais, outros estilistas espanhóis já afirmaram que Letizia amplie seu leque e ajude a projetar outras marcas do país no exterior. “Ela está sempre impecável, mas podia abrir um pouco o leque. Ainda mais agora que vai ser rainha. Eu mataria para vesti-la, e lhe digo que seria sensacional”, comentou o estilista Juanjo Gómez.

A animação com essa nova “vitrine” é compreensível. A indústria têxtil e de confecções responde por cerca de 5% das exportações da Espanha. Em 2013, as exportações desses setores atingiram 12 bilhões de euros (mais de 36 bilhões de reais). E a coroação pode ser uma oportunidade para que os costureiros possam colocar Madri em um patamar similar ao de Paris, Milão e Londres, mecas da indústria da moda.

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E Letizia terá que se esforçar para se tornar um ícone da moda. Nos últimos dez anos ela só figurou duas vezes na lista de pessoas mais elegantes da revista Vanity Fair – Kate Middleton, por exemplo, já apareceu três vezes desde que se casou com o príncipe William, em 2011.

Letizia costuma repetir a mesma roupa em diversas ocasiões, provavelmente com a intenção de passar uma imagem de austeridade diante da crise econômica que assola a Espanha. Foi o que aconteceu nesta quarta-feira durante o último ato oficial do seu sogro, o rei Juan Carlos I, quando usou a mesma roupa que havia usado em uma cerimônia no dia 22 de abril. A roupa, claro, havia sido desenhada por Felipe Varela.

Letizia também costuma comprar roupas mais simples em liquidações de marcas como a Zara para usar em ocasiões informais, como sair com as amigas e comparecer a concertos de música indie. Se ela continuará ou não com esse hábito quando se tornar rainha-consorte é um enigma.