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Karzai aprova negociações entre talibãs e EUA

O presidente afegão Hamid Karzai aprovou nesta quarta-feira as negociações bilaterais entre os rebeldes talibãs e os Estados Unidos para criar um escritório de representação dos talibãs no Qatar.

Os talibãs anunciaram na terça-feira que estavam “dispostos” a estabelecer um escritório político fora do Afeganistão para negociações de paz, um primeiro passo histórico após 10 anos de conflito com o governo afegão e seus aliados da Otan.

O acordo é considerado o primeiro passo antes das negociações que tentarão dar fim à guerra entre os talibãs e o governo de Karzai, apoiado pelos Estados Unidos.

“Para salvar o país da guerra, das conspirações e da morte de inocentes, e para alcançar a paz, o Afeganistão concorda com as negociações entre Estados Unidos e os talibãs, que propiciarão a criação de um escritório dos talibãs no Qatar”, afirma um comunicado oficial.

O comunicado governamental acrescenta que o Executivo “considera as negociações a única maneira de alcançar a paz e acabar com a guerra e a violência impostas ao nosso povo”.

O grupo extremista islâmico talibã anunciou na terça-feira ter fechado um “acordo inicial” para abrir o primeiro escritório político no exterior, provavelmente no Qatar, no primeiro gesto público na direção de conversações de paz com os Estados Unidos.

É a primeira vez que o grupo insurgente menciona publicamente a possibilidade de uma paz negociada depois de mais de 10 anos de enfrentamento ao governo de Cabul, insistindo previamente em que as conversas não aconteceriam até que as tropas estrangeiras tenham deixado o território afegão.

Em um comunicado publicado no site “Voice of Jihad”, atribuído ao grupo, os islamitas disseram ter tido “conversas preliminares com os lados relevantes, incluindo o Qatar”, para abrir um escritório fora do Afeganistão, sem confirmar onde este escritório ficaria.

Uma de suas demandas seria uma troca de prisioneiros que incluísse a libertação de talibãs da prisão de Guantánamo, em Cuba, administrada pelos Estados Unidos.

“Agora estamos preparados, enquanto temos uma forte presença interna (no Afeganistão), para ter um escritório político fora (do país) para negociações”, destacou o comunicado.

“E como parte disso, alcançamos um acordo inicial com lados relevantes, incluindo o Qatar”, acrescentou.

Ainda há 130 mil militares comandados pelos Estados Unidos enfrentando a insurgência liderada pelos talibãs em todo o Afeganistão, enquanto as tropas de combate da coalizão estão prontas para deixar o país até o final de 2014, passando o controle da segurança para forças afegãs.

Mas os Estados Unidos e seus aliados da Otan têm pressionado por soluções políticas para garantir o fim da guerra.

O talibã, que agora está no 11º ano de combate ao governo do presidente Hamid Karzai, apoiado pelo Ocidente, pediu novamente a saída das tropas internacionais.

“A ocupação do país precisa ser terminada e se deve permitir aos afegãos que criem um governo islâmico de sua escolha que não prejudique ninguém”, afirmaram.

O comunicado refutou algumas notícias divulgadas pela imprensa de que teriam sido iniciadas negociações com os Estados Unidos, mas segundo uma fonte no Paquistão, discussões antecipadas foram celebradas no outono passado em Doha, Qatar, entre diplomatas americanos e uma pequena delegação talibã, chefiada por Tayyeb Agha, ex-secretário do líder talibã, mulá Omar.

Segundo a fonte, Agha era a única autoridade talibã em contato direto com o mulá Omar, e o fundador do talibã ficaria baseado no Paquistão.

Os comentários ocorreram dois dias depois de Karzai saudar publicamente os comentários do vice-presidente americano, Joe Biden, de que o talibã “em si não é nosso inimigo”, afirmando que eles ajudariam a trazer paz e estabilidade ao Afeganistão.

Os comentários de Biden à revista Newsweek causaram polêmica nos Estados Unidos mas refletiram um foco maior na busca de uma solução política enquanto os países ocidentais esperam poder trazer seus soldados para casa.

Na entrevista à Newsweek, Biden enfatizou a necessidade de o talibã cortar os laços com a rede terrorista Al-Qaeda.