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Justiça determina prisão domiciliar ao capitão do navio naufragado na Itália

Roma, 17 jan (EFE).- A juíza de instrução italiana Valeria Montesarchio determinou nesta terça-feira a prisão domiciliar para Francesco Schettino, capitão do cruzeiro Costa Concordia que naufragou na sexta-feira perto da ilha de Giglio (Itália), causando a morte de pelo menos 11 pessoas.

A juíza de instrução de Grosseto ditou esta medida após submeter o réu a interrogatório nesta terça-feira, no tribunal desta cidade italiana. O capitão está detido desde sábado, informou seu advogado, Bruno Leporatti.

A promotoria de Grosseto, que tinha solicitado a prisão preventiva para Schettino, acusa o capitão de homicídio culposo múltiplo, abandono de navio e naufrágio, crimes que podem condená-lo a até 15 anos de prisão.

Leporatti explicou aos jornalistas na saída do tribunal que hoje mesmo foram realizados testes toxicológicos em Schettino, que nas próximas horas deve deixar a prisão da cidade para cumprir a pena em sua residência.

À espera da decisão da juíza sobre as medidas cautelares contra Schettino, de 52 anos e natural de Meta di Sorrento, no sul da Itália, se encontravam nesta terça-feira em um hotel de Grosseto sua mulher, um irmão e um primo.

O advogado foi um dos encarregados de informar sobre o conteúdo da declaração que o capitão do navio, propriedade da Costa Cruzeiros, realizou hoje em um interrogatório diante da juíza, no qual assegurou que estava no comando do barco no momento do choque contra as rochas de Giglio.

Segundo explicou Leporatti, seu cliente insistiu que não abandonou o navio e que, com suas supostas manobras após a colisão da embarcação, que levava 4.229 ocupantes no momento do naufrágio, salvou a vida de ‘centenas, milhares de pessoas’.

Schettino ‘reivindicou seu papel na direção da manobra do navio após o choque’, frisou o advogado, acrescentando que seu cliente ‘deu suas explicações’ à juíza sobre o fato de ter demorado tanto para dar o alarme para a evacuação do cruzeiro.

A declaração do capitão perante a juíza coincide com a publicação hoje na Itália de novos e reveladores detalhes sobre o acidente da noite de sexta-feira passada.

O jornal ‘Corriere della Sera’ publicou uma conversa telefônica entre o capitão e um responsável da Capitania dos Portos que prova que Schettino abandonou o navio barco antes de evacuar todos os passageiros.

‘Não é possível mandar uma pessoa à prisão só pela opinião pública’, comentou o advogado do capitão do Costa Concordia.

As equipes de resgate prosseguirão amanhã com os trabalhos de busca de possíveis novos corpos (ainda restam 22 desaparecidos) entre os restos do cruzeiro, onde hoje foram encontrados cinco novos corpos: quatro homens e uma mulher. EFE