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Juiz aceita acusação de assassinato pela morte de irmão de Kim Jong-un

Duas mulheres podem enfrentar a pena de morte caso sejam consideradas culpadas

Um juiz da Malásia aceitou nesta quinta-feira, 16, os argumentos da promotoria que acusa duas mulheres pelo assassinato de Kim Jong-nam, o meio-irmão do líder norte-coreano, ano passado, no aeroporto de Kuala Lumpur.

A vietnamita Doan Thi Huong e a indonésia Siti Aisyah, que esfregaram no rosto de Kim um potente agente tóxico, enfrentam a pena de morte caso sejam consideradas culpadas do fato que a Coreia do Sul atribuiu a agentes norte-coreanos.

A decisão judicial faz com que o processo continue com a apresentação dos argumentos da defesa das duas mulheres, que no início do julgamento asseguraram acreditar que participavam de uma brincadeira para um programa de televisão.

O juiz Azmi Bin Ariffin descartou que o fato fosse uma brincadeira e considerou “crível” a prova apresentada pela promotoria, que sustentou que as duas mulheres sabiam o que faziam e estavam treinadas para cometer o assassinato.

“A promotoria apresentou um caso prima facie contra as pessoas acusadas e, portanto, devo chamá-las a apresentar sua defesa sobre as respectivas acusações”, disse o juiz, que não fixou uma data para a intervenção da defesa.

Além das duas mulheres, a polícia malaia também identificou quatro norte-coreanos em paradeiro desconhecido (Ri Ji-hyon, Hong Song-hac, O Jong-gil e Ri Jae-nam) como os organizadores do crime.

Segundo a investigação policial, eles contrataram as acusadas, embora diante delas se apresentaram com outras nacionalidades e outros nomes.

Kim Jong-nam morreu no dia 13 de fevereiro de 2017, 30 minutos depois de ser atacado no terminal de saída internacional do aeroporto de Kuala Lumpur, quando pegaria um voo para Macau.

Analistas do departamento químico malaio identificaram o veneno utilizado como o agente nervoso VX, um líquido oleoso incolor e sem cheiro considerado pelas Nações Unidas como arma de destruição em massa.

Kim Jong-nam, irmão por parte de pai de Kim Jong-un, já foi considerado um dia como favorito para herdar a liderança do regime norte-coreano, mas caiu em desgraça em 2001 e viveu os últimos anos no exílio.