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“Já matei por causa de um simples olhar”, diz presidente filipino

Em discurso feito no Vietnã, Rodrigo Duterte conta detalhes de como matou uma pessoa quando ainda era adolescente

Por Da redação - Atualizado em 10 nov 2017, 16h36 - Publicado em 10 nov 2017, 13h19

O presidente das FilipinasRodrigo Duterte, afirmou nesta quinta-feira ter esfaqueado uma pessoa até a morte quando era adolescente “por causa de um simples olhar”. A declaração foi feita para imigrantes filipinos na cidade de Da Nang, no Vietnã, onde o político participa do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (Apec), cúpula na qual também estão presentes o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu par chinês, Xi Jinping, e o russo Vladimir Putin

“Quando eu era adolescente, entrava e saía da prisão por brigas ocasionais”, disse Duterte sobre não ter medo de ser preso devido às críticas sobre suas políticas anti-drogas, adicionando que “com 16 anos, matei alguém”. “Uma pessoa de verdade, em uma briga, esfaqueada, por causa de um simples olhar”, detalhou o mandatário filipino, que concluiu a frase em tom que, segundo a rede CNN, provocou risos do público formado por compatriotas: “Quantos mais então, agora que sou presidente?”.

Duterte, de 72 anos, manteve o clima pouco cordial ao se referir a Agnes Callamard, enviada especial da ONU para questões de execuções sumárias ou arbitrárias, umas das principais consequências, segundo os críticos, da ‘guerra contra as drogas’ nas Filipinas. “Vou dar uns tapas nela na frente de vocês”, disse o presidente sobre Callamard. Harry Roque, porta-voz do chefe de Governo filipino, disse à CNN que “os comentários foram uma brincadeira”. “O presidente gosta de fazer uso de linguagem expressiva quando fala para expatriados filipinos”, ele comentou. 

Não é a primeira vez que Duterte alega ter cometido crimes. Em 2015, o então candidato à Presidência das Filipinas revelou, em entrevista à revista Esquire, que “talvez” tivesse “esfaqueado até a morte” uma pessoa quando tinha 17 anos depois de uma briga na praia. No ano passado, durante um fórum econômico em Manila, ele admitiu ter assassinado suspeitos de cometer crimes em Davao, cidade onde foi prefeito entre 1988 e 2013, para dar exemplo aos policiais. Seu porta-voz à época justificou as declarações de Duterte dizendo que o episódio fez parte de uma “ação legítima da polícia”.

Em outra declaração polêmica, chegou a afirmar que jogou uma pessoa de um helicóptero, mas alguns meses depois depois negou a afirmação.

Desde a chegada de Duterte ao poder, há dezesseis meses, a polícia filipina anunciou ter matado 3.967 pessoas, e outras 2.290 pessoas foram assassinadas em casos vinculados a drogas.

O presidente filipino fez do combate às drogas ilegais uma de suas principais bandeiras eleitorais, e, no ano passado, ele declarou que ficaria “feliz em eliminar” 3 milhões de usuários de narcóticos.

(com AFP)

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