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Itália: parlamentares não conseguem eleger novo presidente

Candidato precisa de maioria de 672 votos para assumir a chefia de Estado. Terceira votação será realizada na manhã desta sexta-feira

O Parlamento da Itália não conseguiu definir o sucessor do presidente Giorgio Napolitano nas duas votações realizadas nesta quinta-feira. Napolitano deixará a presidência no dia 15 de maio encerrando um mandato de sete anos com um objetivo não alcançado: conseguir formar um novo gabinete. A meta de seu sucessor será tentar viabilizar um governo no país, que vive um limbo político desde as eleições gerais de fevereiro, quando nenhum partido conseguiu maioria no Senado.

O chefe de Estado italiano é uma figura em grande parte cerimonial, mas tem uma série de funções políticas vitais, como Napolitano demonstrou em 2011, quando colocou Mario Monti à frente de um governo de tecnocratas para substituir Silvio Berlusconi, envolvido em escândalos. Caberá ao novo presidente acabar com o impasse político, convencendo as partes a chegar a um acordo que permita a formação de um governo ou dissolvendo o Parlamento para convocar uma nova eleição parlamentar. Enquanto um acordo não é alcançado, um governo tecnocrata segue interinamente no poder.

Candidato rejeitado – A centro-esquerda de Pier Luigi Bersani conseguiu a maioria na Câmara e seu líder foi encarregado por Napolitando de tentar formar um governo de coalizão. Mas fracassou na missão. Ele apoia o favorito na disputa, Franco Marini, ex-presidente do Senado, mas a escolha provocou divisões dentro do próprio Partido Democrático de Bersani. A indicação de Marini veio depois de um acordo com Berlusconi, chefe da centro-direita.

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Eleito indiretamente por uma sessão conjunta das duas Casas legislativas, o presidente precisa receber 672 votos, maioria de dois terços dos 1.007 votantes. Uma terceira votação será realizada na manhã desta sexta-feira. Caso ela também seja inconclusiva, o novo presidente poderá ser definido em maioria simples.

Muitos parlamentares teriam votado em branco na tarde desta quinta, para conseguir mais tempo para realizar consultas antes da votação da manhã desta sexta. Na primeira votação do dia, Marini recebeu 521 votos de parlamentares e representantes regionais. Stefano Rodota, candidato apoiado pelo comediante ex-comediante Beppe Grillo, ficou em segundo lugar, com 240 votos. Os ex-primeiros-ministros Romano Prodi e Massimo D’Alema receberam 14 e 12 votos, respectivamente.

O Movimento Cinco Estrelas de Grillo, conseguiu amealhar votos de protesto suficientes para se tornar a terceira força política do Parlamento italiano. O problema é que, depois de uma campanha contra tudo e todos, o movimento se recusa a formar coalizões.

(Com agência Reuters)