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Invasão ao Capitólio: Biden acusa Trump e alerta sobre riscos à democracia

'Um ex-presidente criou uma rede de mentiras sobre a eleição de 2020. Ele fez isso porque valoriza o poder acima dos princípios', disse o democrata

Por Da Redação Atualizado em 6 jan 2022, 12h03 - Publicado em 6 jan 2022, 11h34

Na marca de um ano da invasão ao Capitólio dos Estados Unidos, o presidente Joe Biden acusou seu antecessor, Donald Trump, de ser uma contínua ameaça à democracia ao espalhar mentiras sobre o resultado eleitoral e enfraquecer o Estado de Direito.

“Precisamos ser absolutamente claros sobre o que é verdade e o que é uma mentira. Aqui está a verdade: um ex-presidente dos Estados Unidos da América criou uma rede de mentiras sobre a eleição de 2020. Ele fez isso porque valoriza o poder acima dos princípios”, disse Biden nesta quinta-feira, 6.

A fala do presidente é uma referência direta ao inflamado discurso de Trump antes da invasão e aos discursos subsequentes nos quais afirmou falsamente que sua derrota era resultado de uma fraude, apesar de comprovações, incluindo de seu próprio Departamento de Justiça.

De acordo com uma investigação, Trump fez uma uma série de ligações para importantes membros de sua equipe estratégica horas antes da invasão, com objetivo de impedir a vitória eleitoral do rival. Entre os membros estavam seu principal advogado, Rudolph Giuliani, e seu ex-assessor, Steve Bannon.

Junto a democratas do Congresso, Biden e a vice-presidente, Kamala Harris, caminharam até o Statuary Hall, um dos diversos pontos onde apoiadores do então presidente Donald Trump se reuniram há um ano para interromper a contagem da eleição de 2020. No salão, o presidente traçou um contraste entre o que aconteceu e as falsas narrativas que surgiram da invasão, incluindo a recusa de muitos republicanos em aceitar que ele venceu o pleito.

De acordo com uma pesquisa do portal Axios, junto à consultoria Momentive, apenas 55% dos americanos acreditam que Biden venceu de forma legítima, mesmo que o resultado tenha sido provado em tribunais em todo o país diversas vezes. Entre os entrevistados, 26% disseram que não acreditam, de forma alguma, que Biden venceu de forma legítima, e 16% disseram não ter certeza.

“Pela primeira vez em nossa história, um presidente não só perdeu uma eleição, ele tentou impedir a transferência pacífica de poder à medida que uma turba violenta invadiu o Capitólio. Mas eles fracassaram”, disse Biden. “Nesse dia de lembrança, precisamos garantir que tal ataque nunca, nunca aconteça novamente”.

Cinco pessoas morreram durante o dia do motim e cerca de 140 policiais ficaram feridos. Mais de 700 pessoas foram presas por ligação com as cenas de caos e violência.

“Vamos ser uma nação onde permitimos que autoridades eleitorais partidárias derrubem a vontade legalmente expressa do povo? Vamos ser uma nação que vive não pela luz da verdade, mas pela sombra de mentiras?”, questionou o presidente. “Não podemos ser este tipo de nação. O caminho é reconhecer a verdade de viver segundo ela”.

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O presidente também relembrou uma afirmação do deputado republicano Andrew Clyde, que descreveu os invasores como “uma visita turística normal”.

“Este não era um grupo de turistas. Esta era uma insurreição armada. Eles não queriam mostrar a vontade do povo. Eles queriam negar a vontade do povo”, afirmou.

Segundo ele, todos os americanos viram os eventos daquele dia, uma multidão quebrando janelas e agredindo autoridades.

“Isto não é sobre estar preso no passado. Isto é sobre garantir que o passado não seja enterrado. Esta é a única maneira de seguir em frente. Isso que grandes nações fazem. Não enterrem a verdade”, acrescentou.

 

Presidente dos EUA, Joe Biden, caminha no Capitólio junto ao líder da maioria democrata no senado, Chuck Schumer, e presidente da Câmara, Nancy Pelosi. 06/01/2022
Presidente dos EUA, Joe Biden, caminha no Capitólio junto ao líder da maioria democrata no senado, Chuck Schumer, e presidente da Câmara, Nancy Pelosi. 06/01/2022 Evelyn Hockstein/Getty Images

Além do discurso presidencial, parlamentares democratas também planejaram uma série de eventos durante o dia, incluindo um momento de silêncio no Plenário e uma conversa com proeminentes historiadores, com objetivo de “estabelecer e preservar a narrativa” da invasão. Também haverá uma vigília nos degraus do Capitólio liderada pela presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e pelo líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer.

Embora quase todos congressistas republicanos tenham condenado o ataque nos dias seguintes, muitos ainda são leais ao ex-presidente. A deputada Liz Cheney, presidente do comitê da Câmara que investiga o ataque e uma das poucas do Partido Republicano que participará das cerimônias, alertou que a “ameaça continua”.

Trump, segundo ela, “continua fazendo as mesmas afirmações que sabe ter causado a violência em 6 de janeiro”. À rede NBC, disse que, “infelizmente, muitos de meu próprio partido estão embarcando com o ex-presidente, estão virando as costas ou minimizando o perigo”, garantindo que “é assim que as democracias morrem”.

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