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Imprensa internacional repercute saída de Teich com crítica a Bolsonaro

Da Argentina ao mundo árabe, jornais e televisões sublinham a insistência do presidente no uso da cloroquina e sua aversão à quarentena

Por Da Redação - Atualizado em 15 Maio 2020, 16h51 - Publicado em 15 Maio 2020, 16h36

Os principais jornais internacionais, como o americano The New York Times e o britânico The Guardian, estamparam em seus sites nesta sexta-feira, 15, a notícia sobre a queda do segundo ministro da Saúde do Brasil em menos de um mês devido a divergências com o presidente Jair Bolsonaro sobre o combate da Covid-19. O tom dos veículos de comunicação foi de crítica à orientação de Bolsonaro para a Saúde.

Times disse que o agora ex-ministro Nelson Teich renunciou após não concordar com Bolsonaro, que, por sua vez, “se recusa a adotar medidas de distanciamento e quarentena” no país.

“Enquanto governadores e prefeitos em grande parte do país instaram os brasileiros a ficar em casa o máximo possível, Bolsonaro implorou que eles saíssem para trabalhar, argumentando que uma desvantagem econômica seria mais prejudicial ao país do que o vírus”, contextualiza o jornal, que ainda ressalta a insistência do presidente em adotar o cloroquina como tratamento para a Covid-19. A droga, no entanto, não se provou eficaz para combater o vírus e sua adoção não foi aprovada por Teich.

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O britânico The Guardian posiciona Bolsonaro como de “extrema-direita”, diz que a resposta do Brasil à pandemia é “agitada” e pontua que a retórica do presidente brasileiro sobre o isolamento ser “desnecessário”.

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O jornal britânico também menciona a insistência do presidente pelo uso da cloroquina e reitera que a droga não possui eficácia. Citou ainda o episódio em que Teich soube através da imprensa da decisão de Bolsonaro em reabrir academias de ginástica e barbearias, descrevendo a situação como embaraçosa.

O argentino Clarín, observou que, quando Teich chegou ao cargo de ministro, não apareceu mais perante a imprensa, como seu antecessor, o ex-ministro Luiz Mandetta, que concedia entrevistas coletivas diárias sobre a Covid-19. Teich, ao contrário de Mandetta, tentava alinhar seu discurso com o do presidente e prometia encontrar um equilíbrio entre economia e combate ao vírus, diz o jornal. O Clarín salienta que Teich chegou a afirmar que não podia recomendar o relaxamento e alertou que o Brasil poderia chegar a 1.000 mortos por dia.

A emissora Al Jazeera, por sua vez, diz que a saída de Teich aumenta o tumulto político no Brasil em um momento que o país enfrenta um dos piores cenários da pandemia no mundo. “A perda de seu segundo ministro da Saúde em menos de um mês provocou críticas de políticos ao presidente de direita, que pedem seu impeachment. No Rio de Janeiro e em São Paulo, onde a doença esgotou a capacidade dos hospitais públicos, os brasileiros bateram panelas e frigideiras em suas janelas em protesto”, disse a emissora.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registra 202.918 casos de Covid-19 – o que o torna 6o mais atingido no mundo e 1o na América Latina – e 13.993 mortes em decorrência da doença.

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