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Ilha de lixo no Pacífico é tão grande que já tem ecossistema próprio

Animais estão a milhares de quilômetros de habitat original em redemoinho de lixo plástico entre estados americanos da Califórnia e do Havaí

Por Da Redação 19 abr 2023, 13h40

Cientistas descobriram comunidades de criaturas costeiras, incluindo caranguejos e anêmonas, vivendo em detritos de plástico na Grande Ilha de Lixo do Pacífico. Os animais estão vivendo a milhares de quilômetros de sua casa original em um redemoinho de lixo de 620 mil milhas quadradas no oceano entre os estados americanos da Califórnia e do Havaí.

O novo estudo foi publicado na revista Nature Ecology & Evolution e revelou que dezenas de espécies de organismos invertebrados costeiros conseguiram sobreviver e se reproduzir em lixo plástico que flutua no oceano há anos. Os cientistas disseram que as descobertas sugerem que a poluição plástica no oceano pode estar permitindo a criação de novos ecossistemas flutuantes de espécies que normalmente não são capazes de sobreviver no oceano aberto.

Ao contrário dos materiais orgânicos, o detritos plásticos podem flutuar nos oceanos por muito mais tempo, dando às criaturas a oportunidade de sobreviver e se reproduzir em mar aberto. Foram identificados 484 organismos invertebrados marinhos nos detritos, representando 46 espécies diferentes, das quais 80% eram normalmente encontradas em habitats costeiros.

“Foi surpreendente ver a frequência das espécies costeiras. Eles estavam em 70% dos detritos que encontramos”, disse Linsey Haram, cientista do Instituto Nacional de Alimentos e Agricultura, à CNN. “Uma grande porcentagem da diversidade que encontramos eram espécies costeiras e não as espécies pelágicas nativas do oceano aberto que esperávamos encontrar”.

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Eles ainda encontraram também muitas espécies de oceano aberto. “Em dois terços dos escombros, encontramos as duas comunidades juntas … competindo por espaço, mas muito provavelmente interagindo de outras maneiras”, acrescentou Haram.

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As consequências da introdução de novas espécies nas áreas remotas do oceano ainda não são totalmente compreendidas. Porém, os especialistas acreditam que deve haver muita competição pelo espaço, que é pequeno em mar aberto.

“Provavelmente há competição por espaço, porque o espaço é escasso em mar aberto, provavelmente há competição por recursos alimentares – mas eles também podem estar comendo uns aos outros. É difícil saber exatamente o que está acontecendo, mas vimos evidências de algumas das anêmonas costeiras comendo espécies de oceano aberto, então sabemos que há alguma predação acontecendo entre as duas comunidades”, disse Haram.

A forma como os animais costeiros chegaram ao mar aberto ainda é uma dúvida dos cientistas. Entre as possibilidades, as criaturas podem ter “pegado carona” nos objetos de plástico ou se “colonizaram” essa área depois que já estavam no oceano.

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A Grande Ilha de Lixo do Pacífico é o maior acúmulo de plástico oceânico do mundo e tem o dobro do tamanho do Texas. Ela é é delimitada por um enorme redemoinho, uma das cinco maiores correntes circulares giratórias nos oceanos do mundo, que criam um grande vórtice de lixo.

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“Se você está lá, o que vê é apenas um oceano azul imaculado”, disse Matthias Egger, chefe de assuntos ambientais e sociais da ONG The Ocean Cleanup. “Se você olhar para cima à noite, verá todos aqueles pontos brancos, isso é essencialmente o que você vê na mancha de lixo. Não é tão denso, mas há muitos deles… por aí, você começa a ver mais e mais plástico quanto mais você olha.”

A iniciativa Ocean Cleanup estima que existam cerca de 1,8 trilhão de pedaços de plástico na Grande Mancha que pesam cerca de 80 mil toneladas. A maior parte do plástico encontrado vem da indústria pesqueira, enquanto entre 10% e 20% do volume total é remanescente ao tsunami de 2011 no Japão.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o mundo produz cerca de 460 milhões de toneladas de plástico por ano, número que deve triplicar até 2060. De acordo com a agência, apenas cerca de 9% dos resíduos plásticos são reciclados. Até 22% de todos os resíduos plásticos são mal administrados e acabam como lixo e grande parte dele vai para os oceanos.

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