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Grã-Bretanha indenizará famílias de vítimas do ‘Domingo Sangrento’

Parentes de mortos em massacre classificam ação como ‘repulsiva’

O governo britânico anunciou nesta quinta-feira que ofereceu indenizações para as famílias das vítimas da matança de civis conhecida como “Domingo Sangrento” (“Bloody Sunday”) na Irlanda do Norte.

O Ministério da Defesa escreveu para a Madden and Finucane, a firma de advogados que representa as famílias dos catorze mortos e treze feridos no massacre perpetrado por militares britânicos contra uma manifestação a favor dos direitos civis na cidade de Londonderry em 1972.

“Reconhecemos a dor que essas famílias sofreram durante quase 40 anos, e que membros das forças armadas agiram de maneira equivocada”, afirmou o ministério em um comunicado. “O governo lamenta profundamente. Estamos em contato com os advogados das famílias e onde houver uma responsabilidade legal do governo de indenizar, o faremos”, acrescentou. O anúncio foi feito depois que os advogados que representam as famílias das vítimas fizeram um pedido por escrito ao premiê britânico, David Cameron, perguntando o que o governo faria para indenizar totalmente as famílias, que já haviam sido indenizadas em 1974 de forma “irrisória”, segundo os advogados.

Críticas – Para alguns parentes das vítimas, a oferta do governo é “repulsiva”. “Sob nenhuma circunstância aceitaremos dinheiro pela morte de nosso irmão”, disseram Kate e Linda Nash, irmãs de William Nash, um jovem que tinha dezenove anos quando morreu baleado.

Em junho do ano passado, o primeiro-ministro apresentou um relatório ao Parlamento de Londres reconhecendo que os mortos e feridos pelos disparos dos soldados britânicos eram civis inocentes. A versão oficial até então sustentava que os militares responderam com tiros à agressão de terroristas do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Histórico – No dia 30 de janeiro de 1972, um domingo, tropas britânicas abriram fogo durante uma marcha não autorizada em Londonderry, matando 14 pessoas, todas católicas e desarmadas.

O episódio mudou os rumos da violência política e ideológica na Irlanda do Norte, deflagrada no final da década de 1960. O conflito colocava os nacionalistas – em sua maioria católicos, que desejavam a secessão e tornar-se parte da República da Irlanda – contra os unionistas, na maioria protestantes, que queriam permanecer parte do Reino Unido.

A matança levou centenas de voluntários ao grupo armado ilegal Exército Republicano Irlandês (IRA), que intensificou sua campanha lançando bombas e tiros. Apenas em 1998 um acordo de paz foi selado na Irlanda do Norte.

(Com agências EFE e France-Presse)