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Governo Trump ainda está separando famílias de imigrantes na fronteira

Após críticas, presidente assinou decreto em junho determinando o fim da prática

O governo de Donald Trump ainda continua separando famílias de imigrantes ilegais que cruzam a fronteira dos Estados Unidos com o México, apesar de ter encerrado sua política de “tolerância zero” em junho do ano passado, segundo advogados especialistas em imigração do Estado do Texas.

A organização Annunciation House, que acolhe refugiados e imigrantes na cidade de El Paso, recebe por volta de uma ou duas denúncias por semana de casos em que pais e filhos são separados após tentarem entrar ilegalmente no país na região. E essas são apenas as ocorrências notificadas à ONG.

Um comitê formado por membros do Partido Democrata também vem averiguando a questão. Segundo denúncias coletadas pela investigação e apresentadas oficialmente à administração do presidente Donald Trump no início de fevereiro, algumas das famílias separadas em 2018 ainda não foram reunidas.

Além disso, oficiais do governo testemunharam perante o comitê e afirmaram que a prática de separação de pais e filhos continua e que os órgãos do governo responsáveis pelas diretrizes de imigração não tem esclarecido o porquê.

Na segunda-feira 11, Trump organizou um comício em El Paso para apresentar suas principais políticas imigratórias e defender a necessidade da construção de um muro na fronteira com o México.

No mesmo dia, uma mulher denunciou à Annunciation House como teve suas duas filhas tiradas dela em outubro quando tentou entrar ilegalmente nos Estados Unidos depois de deixar seu país, Honduras.

Yeimi, que não divulgou seu sobrenome por motivos de segurança, contou que foi separadas das filhas, de 3 e 5 anos, por quatro meses. Ela passou 30 dias inteiros sem nenhum contato com as crianças, até que os oficiais de imigração permitissem que ela falasse por telefone e se encontrasse com as meninas uma vez por semana.

Hoje a hondurenha vive em El Paso com as filhas e é auxiliada pela Annunciation House. “Foram quatro meses em que fiquei muito deprimida e ansiosa. Eu senti que não podia me controlar, mas sabia que tinha que fazer o meu melhor para manter minhas filhas calmas quando eu falasse com elas no telefone”, contou, em uma coletiva de imprensa realizada pela organização.

Entre maio e junho do ano passado, o governo americano dividiu centenas de crianças e adolescentes de seus pais, confinando-os em centros de detenções separados, após anunciar a aplicação de uma política de “tolerância zero” contra a imigração ilegal pela fronteira sul do país.

Em função das críticas, Trump se viu obrigado a assinar um decreto determinando o fim da divisão das famílias. Segundo as novas denúncias, contudo, a prática continua em vigor, ainda que em menor escala e sem autorização oficial.