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Governo francês suspende aumento de impostos sobre combustíveis

Fim do aumento era principal reivindicação do movimento dos "coletes amarelos", que gerou grande crise social no país

O governo da França suspendeu por seis meses o novo aumento de impostos sobre os combustíveis que entraria em vigor em janeiro. A interrupção do aumento foi a primeira reivindicação do movimento dos “coletes amarelos”. Os manifestantes protagonizaram no sábado protestos de grande violência em todo o país, em particular em Paris.

O primeiro-ministro, Édouard Philippe, já comunicou aos deputados “uma moratória” desse aumento tributário em um encontro na manhã desta terça-feira, 4, com seu grupo parlamentar na Assembleia Nacional, segundo a imprensa local.

Philippe também apresentará outras medidas para tentar acalmar os ânimos dos “coletes amarelos” em um comunicado que deve ser transmitido pela televisão ainda hoje.

Segundo o premiê, contudo, nenhuma das medidas será tomada oficialmente antes de um debate apropriado com todas as partes afetadas e envolvidas.

O encontro entre o primeiro-ministro e algumas lideranças dos “coletes amarelos”, que estava previsto para esta tarde com o objetivo de buscar uma saída para a crise social, foi cancelado.

A maioria dos coletes “amarelos” tinha advertido desde ontem que não iria à reunião em sinal de protesto pela atitude inflexível do governo. Alguns deles confirmaram que receberam ameaças de outros integrantes do movimento para impedir que comparecessem ao encontro.

Soluções para a crise

Philippe recebeu ontem os responsáveis dos partidos políticos que lhe pediram que suspenda o aumento dos impostos sobre os combustíveis programado para 1º de janeiro.

Na segunda-feira 3 à noite, o presidente Emmanuel Macron convocou para um gabinete de crise uma dezena de ministros cujas pastas estão diretamente envolvidas com as reivindicações dos manifestantes dos “coletes amarelos”.

Macron cancelou uma viagem prevista para a Sérvia na quarta e na quinta-feira por causa dos protestos, que hoje continuam na forma de bloqueios de algumas estradas.

Os impostos

O governo francês tinha programado um aumento das taxas sobre o combustível de 6,5 centavos de euros por litro para o gasóleo e de 2,9 centavos para a gasolina a partir de 1º de janeiro.

As medidas faziam parte de sua estratégia para reduzir a dependência do petróleo e favorecer uma economia com emissões menores de dióxido de carbono para lutar contra a mudança climática.

Com o novo aumento, que se somaria ao que já foi aplicado no início deste ano (7,6 centavos para o gasóleo e 3,9 centavos para a gasolina), o governo previa arrecadar cerca de 3 bilhões de euros por ano.

(Com EFE e Reuters)