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Governo da França busca solução para crise dos “coletes amarelos”

Premiê promove reunião entre líderes dos principais partidos políticos do país e deve se encontrar com chefes do movimento para propor diálogo

Por Da Redação - Atualizado em 30 jul 2020, 20h01 - Publicado em 3 dez 2018, 10h00

O primeiro-ministro da França, Édouard Philippe, iniciou na manhã desta segunda-feira, 3, uma rodada de reuniões com representantes dos principais partidos políticos do país para buscar uma saída para a crise dos “coletes amarelos”, que continuam os protestos e bloqueios em diferentes pontos do país.

A primeira a ser convocada no Palácio de Matignon, a residência oficial do primeiro-ministro, foi a prefeita de Paris, a socialista Anne Hidalgo, que chegou pouco antes das 8h30 locais (5h30 em Brasília).

Também comparecerão hoje ao Palácio de Matignon a líder do partido de extrema-direita Agrupamento Nacional, Marine Le Pen; o primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure; o presidente do conservador Os Republicanos, Laurent Wauquiez, e Stanislas Guerini, o novo delegado-geral do República em Marcha, o partido do presidente Emmanuel Macron.

O “número 1” do partido de esquerda França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, que, assim como Le Pen, pediu a dissolução da Assembleia Nacional para a convocação de novas eleições legislativas, pode não comparecer e ser substituído por membros de sua equipe.

A “rebelião dos coletes amarelos”, como ficou conhecido o movimento, protesta contra o aumento do preço dos combustíveis e o governo de Macron. No sábado, 1, os manifestantes transformaram as ruas de Paris em praça de guerra. O quebra-quebra ocorreu em meio aos mais conhecidos cartões postais da capital.

Os manifestantes continuam hoje suas ações em diversos pontos do país com bloqueios de rodovias, estradas e acessos a complexos petrolíferos.

Conversas com líderes do movimento

Após uma reunião de gabinete neste domingo, 2, Macron pediu que Philippe também se reunisse com os líderes do movimento dos “coletes amarelos”. O primeiro-ministro afirmou que ainda avalia se será possível realizar o encontro, depois do fiasco de uma reunião similar na última sexta-feira, 30.

O movimento não tem uma liderança clara e se organiza por meio das redes sociais, estando desvinculado de qualquer comando político ou sindical. Depois de disparar vários telefonemas — não se sabe exatamente para quem —, o primeiro-ministro conseguiu marcar o encontro com os “coletes amarelos” para a semana passada na residência oficial de Matignon. Contudo, apenas dois representantes apareceram.

Após o encontro deste domingo, Macron também não descartou decretar estado de emergência, regime de exceção que reforça os poderes da polícia, da Justiça e do Ministério Público — o mesmo decretado após os atentados de novembro de 2015.

O presidente francês enfrenta a maior crise em seu governo desde que assumiu o cargo há 18 meses.

Os protestos

Os protestos já são considerados os mais violentos das últimas décadas. Um total de 136.000 pessoas participaram de manifestações em toda a França. A violência deixou 263 feridos, sendo 133 na capital, e 378 pessoas foram detidas, segundo balanço oficial divulgado neste domingo.

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No final de semana, os manifestantes viraram carros, montaram barricadas, queimaram latas de lixo e quebraram vitrines de lojas e agências bancárias. Para dispersar os protestos, a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água. O Arco do Triunfo foi tomado por uma nuvem de fumaça.

Imagens de televisão mostraram o interior do Arco do Triunfo sendo saqueado, a estátua de Marianne, símbolo da república francesa, destruída, e pichações no lado de fora do monumento com slogans anticapitalistas e pedidos de renúncia de Macron.

Para piorar o quadro, o presidente estava em Buenos Aires, participando da cúpula do G20, de onde tentou demonstrar que tem o controle da situação. “Os responsáveis por essa violência querem o caos. Eles traem as causas que afirmam servir. Eles serão identificados e responsabilizados pelas suas ações na Justiça. Respeitarei sempre as contestações e a oposição, mas nunca aceitarei a violência”, disse o presidente.

Segundo Macron, os distúrbios “nada têm a ver com a expressão do descontentamento legítimo dos coletes amarelos”. Para ele militares de extrema direita e extrema esquerda, bem como jovens dos subúrbios e anarquistas, estariam infiltrados no movimento.

Os manifestantes afirmam protestar contra o aumento no preço dos combustíveis e a perda de poder aquisitivo da população. O movimento, que começou no dia 17 de novembro, adotou como símbolo o “colete amarelo”, que é uma peça usada para que os motoristas fiquem mais visíveis em caso de emergências em estradas.

O porta-voz do governo francês, Benjamin Griveaux, não quis antecipar esta manhã se a administração atenderá à principal reivindicação dos “coletes amarelos” desde o início do movimento, a de anular o aumento dos impostos sobre os combustíveis (à gasolina e, sobretudo, ao gasóleo) que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro.

“Não tomamos as decisões antes” das reuniões com os representantes desse movimento e dos partidos, já que “vamos recebê-los para dialogar”, disse Griveaux esta manhã em entrevista à emissora France Inter.

Após os episódios dos últimos dias, algumas vozes do governo sugeriram mudanças. “Pecamos por estarmos muito distantes da realidade dos franceses”, declarou Stephane Guerini, novo líder do partido de Macron.

O ministro do Interior, Christophe Castaner, reconheceu que o governo errou ao não discutir mais a necessidade de abandonar o petróleo, já que a revolta ocorreu em razão de um imposto sobre combustível destinado a financiar a transição ecológica.

Na reunião deste domingo com Macron, Castaner foi incumbido de fazer “adaptações” nos procedimentos de segurança e preparar a polícia para futuros protestos.

(Com EFE e Estadão Conteúdo)

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