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Governo de Hong Kong acusa manifestantes de estragarem o Natal

Muitos jovens que participaram dos protestos foram presos, alguns por policiais à paisana que se misturaram à multidão

Por AFP Atualizado em 25 dez 2019, 12h22 - Publicado em 25 dez 2019, 12h18

Confrontos esporádicos eclodiram nesta quarta-feira, 25, entre ativistas pró-democracia e a polícia de choque em Hong Kong, um dia após violentos enfrentamentos condenados pelo governo pró-chinês, que acusou os “manifestantes irresponsáveis e egoístas” de estragar as festividades de Natal.

“Tais atos ilegais não só estragaram o ambiente festivo, mas também prejudicaram o comércio local”, criticou a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, nesta quarta-feira no Facebook.

Em Mong Kok, um distrito comercial movimento e palco de frequentes confrontos nos últimos seis meses, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão de manifestantes que partiu para cima de agentes da polícia. Gás de pimenta também foi utilizado em pelo menos dois shoppings durante os confrontos entre a polícia e os manifestantes.

Muitos jovens manifestantes foram presos, alguns por policiais à paisana que se misturaram à multidão, segundo imagens transmitidas ao vivo pela televisão local.

No entanto, os confrontos desta quarta-feira foram menos violentos do que os do dia anterior, em que centenas de militantes vestidos de preto enfrentaram por várias horas as forças policiais em um dos bairros mais movimentados da cidade, Harbor City.

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A situação se agravou quando os manifestantes descobriram policiais vestidos à paisana e começaram a lançar objetos nos agentes, que tentavam se desviar. A polícia de choque intercedeu para dispersar os manifestantes com cassetetes e gás pimenta, enquanto os comerciantes fechavam suas lojas às pressas.

Em Hong Kong, palco desde junho da mais grave crise na ex-colônia britânica desde a sua devolução à Pequim em 1997, a violência diminuiu de intensidade no último mês.

Mas, na Internet, foram lançadas convocações para ações pontuais durante as festas de Natal e de Ano Novo, visando principalmente os distritos onde estão concentradas as butiques e lojas de departamento.

O movimento de contestação nasceu em oposição a um projeto de lei destinado a autorizar extradições para a China continental. O Executivo local pró-Pequim renunciou ao plano, mas os manifestantes ampliaram suas demandas, pedindo eleições livres e mais democracia.

Em Hong Kong, onde vive uma grande comunidade cristã, a noite de Natal é tradicionalmente muito animada em bares e outros comércios. O movimento impactou o turismo e a economia do centro financeiro, que entrou em recessão no terceiro trimestre pela primeira vez em dez anos, com o PIB caindo 3,2%.

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