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Governo ‘cruzou novo limite na escalada de intolerância’, diz ‘Clarín’

Jornal responde a chefe de gabinete de Cristina Kirchner que rasgou páginas de uma reportagem que desagradou ao governo

Por Da Redação 2 fev 2015, 18h53

O jornal Clarín divulgou uma nota nesta segunda-feira em resposta à inusitada atitude do chefe de gabinete de Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, que rasgou páginas do diário depois de criticar uma matéria que desagradou ao governo. No texto, o grupo de comunicação “lamenta que o governo tenha decidido cruzar um novo limite na escalada de intolerância e agressão contra a imprensa”.

O comunicado respalda o conteúdo da reportagem sobre a existência de um esboço da denúncia do procurador Alberto Nisman, morto em circunstâncias não esclarecidas, no qual ele solicitaria a prisão de Cristina Kirchner por acobertar o envolvimento de iranianos no atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia).

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“A decisão do chefe de gabinete, Jorge Capitanich, de rasgar duas páginas do Clarín com artigos de profissionais reconhecidos, carrega uma carga de violência imprópria a um funcionário da democracia”, diz a nota. “Que aqueles que exercem as maiores responsabilidades no país – e, portanto, devem velar pela convivência, o diálogo e a segurança das pessoas – exibam este tipo de conduta é reflexo de uma profunda anomalia institucional”, continua a nota.

O jornal diz que Capitanich inspirou-se em “outros mandatários da região com traços autoritários e hegemônicos”, que também são fonte do governo “em sua concepção e relação com a imprensa não alinhada”. O Clarín ressalta que o governo poderia ter questionado, rebatido ou até desmentido o conteúdo das notas, “e esse debate seria válido e letígimo”. “Mas o governo optou por estigmatizá-los e discipliná-los com uma carga de violência inédita”. O texto conclui que, “apesar da intimidação”, os jornalistas ratificam o conteúdo das matérias criticadas pelo chefe de gabinete. As reportagens foram realizadas “de acordo com as normas profissionais, com fontes irrepreensíveis e as checagens necessárias”.

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‘Desespero’ – O diário também citou as críticas de parlamentares de oposição, que se manifestaram pelas redes sociais. O chefe do bloco radical na Câmara dos Deputados, Mario Negri, escreveu: “Capitanich rasga @Clarin diante da TV. Se alguém rasgasse o discurso de Cristina depois de desmenti-la, o que aconteceria? Apostam na violência?” O deputado da Frente Renovadora, Alberto Asseff, declarou que “o chefe de gabinete cruzou a linha ao rasgar o diário Clarín em sua entrevista coletiva. Foi um ato violento e lamentável, impróprio de um sistema democrático”. O ex-deputado Alfonso Prat-Gay publicou a imagem do chefe de gabinete rasgando as páginas do jornal com a frase: “Capitanich e o compromisso de seu governo com a liberdade de expressão em uma imagem. #Desesperados”.

Segundo o Clarín, a minuta da denúncia, com várias linhas riscadas, teria sido encontrada na lata de lixo da casa do promotor após sua morte, com um disparo na cabeça, em 18 de janeiro, e incorporada aos autos da investigação. Nisman foi encontrado morto poucos dias depois de acusar a presidente Cristina Kirchner e vários de seus colaboradores de realizarem manobras para encobrir a responsabilidade do Irã pelo atentado contra o centro judaico, que deixou 85 mortos.

O juiz Ariel Lijo afirmou nesta segunda que os trechos riscados são de responsabilidade de seu juizado para “suprimir medidas de prova, não alguma petição a respeito dos supostos envolvidos”.

Lijo havia assumido inicialmente a responsabilidade por avaliar a denúncia, mas desistiu do caso e um sorteio foi realizado nesta segunda para apontar um novo juiz, Daniel Rafecas. O problema é que Rafechas se declarou ‘incompetente’ para assumir o caso. Desta forma, a denúncia volta à Câmara Federal de Apelações, que terá de definir quem assumirá a investigação.

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