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Governador de Nova York renuncia ao cargo

Andrew Cuomo foi acusado na semana passada de assédio sexual contra ao menos 11 mulheres

Por Julia Braun Atualizado em 10 ago 2021, 13h41 - Publicado em 10 ago 2021, 13h16

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, anunciou sua renúncia ao cargo nesta terça-feira, 10, após a publicação de uma investigação conduzida pela Secretaria de Justiça do estado que o acusou cometer assédio sexual contra ao menos 11 mulheres.

Após a publicação do relatório de 168 páginas que detalhava as alegações, Cuomo passou a sofrer enorme pressão de importantes aliados democratas para deixar o posto, entre eles o presidente Joe Biden e a líder da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi. Os líderes da Assembleia Estadual também já haviam começado a redigir artigos de impeachment e pareceriam ter apoio suficiente para conseguir retirá-lo do cargo.

Em uma coletiva de imprensa nesta terça o político confirmou o destino que já era visto por analistas como certo. “Gastar energia com distrações é a última coisa que o governo estadual deveria fazer. E eu não posso ser a causa disso”, disse.

Cuomo confirmou que será substituído pela vice-governadora, a também democrata Kathy Hochul, após uma transição de 14 dias. Hochul será a primeira mulher a assumir o cargo e deve servir até novembro de 2022, quando serão realizadas novas eleições.

As acusações

O relatório que apontou as denúncias de assédio foi divulgado no dia 3 de agosto. No documento, Cuomo é acusado de ter beijado, apalpado e abraçado as mulheres sem consentimento, além de ter feito comentários inapropriados em conversas com elas. O democrata nega todas as acusações.

O relatório, que reune depoimentos de 179 testemunhas e dezenas de milhares de documentos, também afirma que o gabinete do governador era um ambiente de medo de intimidação, formando um ambiente de trabalho hostil para muitos funcionários. Cuomo teria assediado sexualmente membros de seu próprio gabinete assim como outros funcionários públicos, incluindo uma policial, e membros do público, alega o relatório.

Segundo a secretária de Justiça responsável pela investigação, Letitia James, as conclusões revelam “um quadro profundamente perturbador, mas claro”, e foram apresentadas cerca de duas semanas depois de depoimento do próprio Cuomo a investigadores. Segundo a mídia local, o governador teria sido questionado por 11 horas.

A investigação também descobriu que Cuomo e seus assessores “retaliaram ilegalmente” pelo menos uma das mulheres por tornar suas denúncias públicas. 

A principal assessora do governador, Melissa DeRosa, já havia renunciado no último domingo 8. Ela é mencionado 187 vezes no relatório e acusada de permitir “que ocorressem os assédios”.

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