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Governador chavista critica Maduro e defende libertação de opositores

José Vielma Mora, governador do estado de Táchira, berço da atual onda de protestos contra o governo, condena violência contra manifestantes

Um aliado do presidente Nicolás Maduro passou a crítico de seu governo ao condenar os ataques contra manifestantes nas últimas semanas na Venezuela. O governador do estado de Táchira, José Gregorio Vielma Mora, tornou-se a primeira voz crítica dentro do partido governista PSUV. “Eu sou contra acabar com um protesto pacífico usando armas”, disse o governador a uma rádio de Caracas. “Ninguém está autorizado a usar a violência”.

A onda de protestos contra Maduro que se espalha pelo país começou exatamente no estado de Táchira e em Mérida, onde os estudantes tomaram as ruas contra os altos índices de criminalidade e os problemas econômicos do país, que incluem inflação recorde e escassez de produtos básicos. Depois que alguns estudantes foram detidos, houve manifestações na capital Caracas, onde setores da oposição se juntaram aos protestos.

Na entrevista, Vielma Mora pediu a libertação dos jovens e dos opositores que foram presos. “Todos os que estão na prisão por motivos políticos devem ser enviados para casa. É aí que a paz começa”, afirmou, segundo declarações publicadas pela rede britânica BBC. O governador defendeu o direito das pessoas de manifestar pacificamente e disse que os estudantes deveriam ser aplaudidos.

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Militarização – O governador também considerou “um excesso” a militarização da cidade de São Cristóvão, ocupada pelas Forças Armadas para conter os protestos. “Eu me aborreci muito com o sobrevoo de aviões militares em Táchira. Foi um excesso inaceitável”.

Admitiu ainda que houve excessos na repressão aos manifestantes no estado e que, por isso, pediu a saída do chefe do responsável pelas ações, o general Noel Bermudez Pirela, substituído pelo general Miguel Vivas. “Pedi a troca porque sou contra a repressão. Os estudantes têm o direito de protestar”.

Vielma Mora foi um dos primeiros a se unir ao mentor de Maduro, o coronel Hugo Chávez, na liderança de um golpe de estado fracassado em 1992. Seis anos depois, Chávez foi eleito presidente e levou seus aliados para o governo, incluindo o agora governador de Táchira.

O governador destacou que não rompeu com o partido governista e continua leal a Maduro, mas afirmou que tinha de responder à população de seu estado, apontou o Wall Street Journal. Pelo Twitter, declarou a existência de “rumores maldosos para desprestigiar nosso compromisso irrestrito com a paz, com o presidente e com a revolução”. O chanceler Elías Jaua, também dirigente do PSUV, disse que entraria em contato com Vielma para “discutir suas opiniões”.