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Gbagbo diz que foi enganado sobre transferência a Haia

Ex-ditador da Costa do Marfim é o primeiro chefe de estado a comparecer ao TPI

Por Da Redação - 5 dez 2011, 11h06

O ex-presidente da Costa do Marfim Laurent Gbagbo, acusado de crimes contra a humanidade cometidos durante a crise pós-eleitoral (2010-2011), disse nesta segunda-feira que foi “enganado” sobre sua transferência a Haia. Em sua primeira aparição diante do Tribunal Penal Internacional (TPI), ele alegou que, ao ser preso, foi informado de que iria encontrar um juiz na cidade marfinense de Korhogo.

“Os meus advogados não estavam preparados para aquilo”, declarou Gbagbo. Ele afirmou que só ficou sabendo que seria transferido para Haia logo depois de chegar ao aeroporto.

“Me prenderam em 11 de abril de 2011 sob as bombas francesas”, disse Gbagbo, pouco depois de apresentar-se no início da audiência. “O Exército francês se encarregou da tarefa”, acrescentou ante a juíza Silvia Fernández de Gurmendi, que presidia a audiência.

Contexto – Nesta primeira audiência, em Haia, sede do TPI, após a comprovação da identidade, os juízes pretendiam assegurar que Gbagbo foi informado claramente de todas as acusações recebidas e dos direitos reconhecidos pelo Estatuto de Roma, o tratado fundador do TPI. Os juízes não pediram para ele se declarar culpado ou inocente, mas mesmo assim ele negou responsalibilidade nos crimes.

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Gbagbo, primeiro chefe de estado entregue ao TPI, que começou a funcionar em 2002, recebeu acusações de crimes contra a humanidade, incluindo assassinato, estupro, atos desumanos e perseguição cometidos entre 16 de dezembro de 2010 e 12 de abril de 2011, após as eleições celebradas em seu país.

A recusa de Gbagbo, de 66 anos, a ceder o poder a seu rival Alassane Ouattara levou o país a uma explosão de violência que matou 3.000 pessoas.

(Com agência France-Presse)

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