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François Hollande afirma que regime sírio não tem futuro

Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, presidente francês pediu que a entidade proteja as “zonas libertadas” pelos rebeldes

O presidente da França, François Hollande, afirmou que a ONU deve oferecer proteção às áreas libertadas pelos rebeldes no norte da Síria. Em seu primeiro discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o líder francês acrescentou que o governo do ditador Bashar Assad “não tem futuro” no cenário internacional.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“Sem qualquer atraso, peço às Nações Unidas que forneçam imediatamente ao povo sírio todo o apoio que ele nos solicita e proteja as zonas libertadas”, recomendou Hollande.

O Catar pediu que as potências mundiais preparem um “Plano B” para a Síria dentro de semanas e criem uma zona de exclusão aérea, caso o mediador internacional Lakhdar Brahimi não consiga promover avanços. O primeiro-ministro do Catar, o xeque Hamad bin Jassim al-Thani, disse acreditar que os países árabes e europeus estão preparados para contribuir.

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também abordou a questão síria em seu discurso na Assembleia Geral da ONU e acusou o Irã de ajudar a manter uma ditadura no poder. “Assim como restringe os direitos de seu povo, o governo iraniano apoia um ditador em Damasco e grupos terroristas no exterior”, afirmou Obama referindo-se a Assad. “Novamente declaramos que o regime de Bashar Assad deve chegar ao fim para que cesse o sofrimento do povo sírio e uma nova aurora possa começar.”

Abusos – Um relatório da ONG britânica Save the Children divulgado nesta terça-feira afirma que crianças e adolescentes foram vítimas de abusos contra seus direitos na Síria. Para elaborar o material, a entidade realizou entrevistas com refugiados do conflito sírio. As crianças, que estão em campos de refugiados em países vizinhos, disseram ter testemunhado massacres e visto familiares serem mortos durante os 18 meses do conflito.

Khalid, 15 anos, foi levado juntamente com mais de cem pessoas à sua antiga escola, que foi transformada em um centro de tortura, e teve as mãos amarradas com corda de plástico. “Eles me penduraram no teto pelos meus pulsos, com os pés fora do chão, e daí eu fui espancado. Eles queriam que a gente falasse, confessasse alguma coisa”, disse ele. “Eu desmaiei com a dor de ficar pendurado assim, e com o espancamento. Eles me trouxeram para baixo e jogaram água fria no meu rosto para me acordar. Então eles se revezavam apagando seus cigarros em mim. Veja aqui, eu tenho essas cicatrizes”.

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O documento, com os relatos em primeira pessoa, não diz quem abusou das crianças, mas um porta-voz da Save the Children afirmou que alguns tinham ouvido seus pais culparem as forças do governo pelos ataques. Observadores das Nações Unidas disseram que o regime sírio cometeu violações dos direitos humanos “em uma escala alarmante”, mas também listaram múltiplos assassinatos e sequestros cometidos por rebeldes armados que tentam derrubar o ditador Bashar Assad.

“Eu conheci um garoto chamado Ala’a. Ele tinha apenas 6 anos de idade. Ele não entendia o que estava acontecendo. Seu pai foi informado de que ele iria morrer, a menos que ele se entregasse”, contou Wael, 16 anos, que como todas as crianças entrevistadas não foi identificado pelo nome completo ou país em que está atualmente. “Eu diria que o garoto de seis anos foi torturado mais do que qualquer outra pessoa na sala. Ele não recebeu comida ou água por três dias, então ele estava tão fraco que costumava desmaiar o tempo todo”, relatou Wael. “Ele era espancado regularmente. Eu o vi morrer. Ele só sobreviveu por três dias e então simplesmente morreu.”

O presidente-executivo da Save the Children, Justin Forsyth, disse que as histórias “precisavam ser ouvidas e documentadas para que os responsáveis por esses crimes hediondos contra crianças possam ser responsabilizados”. A entidade exortou a ONU para aumentar a sua presença no país para poder documentar cada crime.

Histórico – O conflito na Síria, iniciado como um movimento de protesto pacífico, se transformou em guerra civil. O enviado especial da ONU ao país, Lakhdar Brahimi, disse que o conflito está “extremamente ruim e ficando pior”. Ele afirmou que o impasse no país em breve deve encontrar uma “abertura”, mas não explicou o que quis dizer.

Ativistas da oposição dizem que 27.000 pessoas, a maioria civis, foram mortas no derramamento de sangue no país. Muitos dos civis morreram em ataques lançados pelas forças de segurança contra protestos pacíficos. Outros foram mortos em bombardeios do governo ou em fogo cruzado durante a guerra civil que se seguiu.

(Com agência Reuters)