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Forças em guerra no Iêmen concordam com cessar-fogo em cidade portuária

Governo e rebeldes houthis acertaram trégua em Hodeida, que abriga principal porto de entrada de alimentos e ajuda humanitária no país

Após conversas de paz na Suécia, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, anunciou, nesta quinta-feira (13), um acordo entre o governo do Iêmen e os rebeldes houthis para uma trégua na estratégica cidade portuária de Hodeida.

O pacto prevê uma retirada das forças do governo e dos rebeldes da cidade. A partir de agora, a intenção é que Hodeida seja controlada pelas forças locais.

A ONU desempenhará um “papel-chave” no controle deste porto do Mar Vermelho, por onde entra grande parte dos alimentos e da ajuda humanitária para o Iêmen, disse Guterres.

Segundo o secretário, uma estrutura política para negociações de paz será discutida em outra rodada de conversas entre o governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, e os houthis, alinhados com o Irã.

Os rebeldes controlam atualmente a cidade e o porto. Tropas da coalizão liderada pelos sauditas, contudo, têm se concentrado nas redondezas da cidade. Nos últimos meses, Hodeida também foi alvo de diversos bombardeios da Arábia Saudita.

Além da cidade, os houthis também mantêm a maior parte dos centros populacionais do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa, onde depuseram o governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi em 2014. Atualmente, a sede do governo está localizada na cidade portuária de Aden, ao sul do país.

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que lideram a coalizão, tem sofrido grande pressão por parte de aliados ocidentais, muitos dos quais fornecem armas e dados de inteligência à aliança, para pôr fim aos quase quatro anos de guerra que já deixou dezenas de milhares de mortos.

A coalizão interveio na guerra em 2015 para restaurar o governo de Hadi, mas, desde então, está presa em um impasse militar.

Segundo o Banco Mundial, o conflito que começou em 2014 provocou uma dramática crise econômica, com uma contração do PIB de 50% desde 2015. A guerra também já deixou mais de 60.000 mortos, segundo o projeto Armed Conflict Location and Event Data (ACLED, na sigla em Inglês).

(Com AFP e Reuters)