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Férias do rei Juan Carlos I causam indignação na Espanha

Presidente de honra da WWF em seu país, monarca é alvo de críticas por caçar elefantes em Botsuana. Alto custo da diversão também foi motivo de debate

Por Da Redação - 16 abr 2012, 19h21

As férias do rei espanhol Juan Carlos I transformaram-se em um grande imbróglio para o monarca. Ao sofrer um acidente que lhe rendeu uma fratura no quadril, durante estadia em Botsuana, veio à tona, pela imprensa espanhola, o motivo de sua viagem ao país africano: Juan Carlos caçava elefantes. Acontece que o rei, de 74 anos, é presidente de honra em seu país da WWF, uma das maiores ONGs ambientalistas do mundo.

O gosto de Juan Carlos I pela caça não era, na verdade, segredo. Ele só se tornou presidente de honra da organização, em 1968, para que a WWF contornasse a proibição, pela ditadura franquista, da atuação de organizações civis no país. Mas o novo safari do monarca, aliado a uma foto de 2006 republicada em diversos jornais espanhóis (acima), reacendeu o debate.

No domingo, o El Mundo, um dos principais jornais espanhóis, titulou: “O tombo do rei revela que ele estava havia quatro dias caçando elefantes”. A reação foi imediata – e não só na Espanha. A atriz francesa Brigitte Bardot, que frequentemente se associa a causas ambientais, por exemplo, afirmou que Juan Carlos praticava uma atividade “indigna”.

Mas a maior onda de contestação a Juan Carlos veio da internet. Até agora, mais de 50.000 pessoas já assinaram um documento pedindo que o rei deixe o posto de presidente de honra da WWF. As assinaturas foram recolhidas no site Actuable, que se define como uma “comunidade on-line de pessoas que se unem para lutar contra as injustiças”. No ano passado, o portal conseguiu retirar de circulação o livro “Comprender y sanar la homosexualidad”, do psicoterapeuta Richard Cohen – no texto, Cohen dizia ter “curado” mulheres e homens que sentiam atração por pessoas do mesmo sexo.

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A situação obrigou a ONG a lamentar, publicamente, “o grave prejuízo pela credibilidade da WWF e do intenso trabalho que vem desenvolvendo há mais de 50 anos para a proteção dos elefantes e de outras espécies”. No Twitter, onde o fato também foi bastante comentado, a WWF afirma que “fará chegar à Casa Real os comentários e reitera seu compromisso com a conservação dos elefantes”.

Em uma carta enviada à Casa Real, o secretário-geral da WWF Espanha, Juan Carlos del Olmo, afirma que o incidente provocou uma “enorme rejeição dos sócios da ONG e da opinião pública espanhola”. Segundo ele, muitos dos seus 33.000 sócios estão abandonando a organização.

Luxo – Outro fato que foi motivo de críticas ao monarca é preço da diversão real. Em Botsuana, a caça de elefantes só é permitida após o pagamento de uma taxa que varia entre 7.000 euros e 30.000 euros. Em um país em crise econômica, cuja taxa de desemprego supera os 20%, a gastança não pegou bem.

“Foi uma viagem irresponsável, no pior momento possível”, afirmou o jornal El Mundo, em editorial. “A imagem de um monarca caçando elefantes na África em um momento em que a crise econômica cria tantos problemas para os espanhóis é um exemplo muito ruim.”

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Sem comentários – A Casa Real não comentou o motivo da viagem do rei a Botsuana, que só foi descoberta publicamente quando ele precisou ser hospitalizado depois da fratura no quadril. Ele foi operado no sábado na clínica San José de Madri, onde os médicos colocaram uma prótese. Apesar do susto, o monarca “teve uma evolução muito positiva e conseguiu descansar, novamente, nesta noite”, informou a Casa Real em um comunicado.

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