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Explosões deixam dezenas de mortos em Damasco

Ao menos 40 pessoas morreram e 170 ficaram feridas, segundo a TV estatal

Por Da Redação 10 Maio 2012, 04h55

Duas explosões atingiram o sul de Damasco nesta quinta-feira, deixando ao menos 40 mortos e 170 feridos, de acordo com a TV estatal. Logo após ouvirem o barulho das bombas, moradores da capital da Síria avistaram uma fumaça negra no céu. Forças de segurança do regime comandado pelo ditador Bashar Assad isolaram a área afetada na zona de Qazaz, na periferia da cidade, enquanto ambulâncias foram enviadas ao local.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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A televisão oficial síria qualificou as explosões de “ataques terroristas” e disse que corpos queimados podiam ser vistos nos destroços de carros incendiados. Nos últimos meses, Damasco foi alvo de diversos atentados, que o governo de Assad atribui aos rebeldes que exigem a saída do ditador há mais de um ano. As forças revolucionárias, por sua vez, afirmam que o próprio governo está por trás dos ataques.

“O regime perpetrou esses ataques para enviar duas mensagens: dizer aos observadores (da ONU) que eles estão em perigo e cimentar sua acusação de que grupos armados e a Al Qaeda atuam na Síria”, declarou Samir Nashar, membro do oposicionista Conselho Nacional Sírio.

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O último atentado de grandes proporções em Damasco havia ocorrido em 30 de abril. Dez pessoas foram mortas em uma explosão no distrito de Midan, centro da capital, perto da mesquita de Zein al Abidin. De acordo com a TV síria, o ataque desta quinta-feira ocorreu perto de uma sede dos serviços de inteligência do governo, envolvida na repressão do regime aos manifestantes pró-democracia. Apenas uma explosão destroçou dezenas de carros e as fachadas de prédios ao redor.

Cessar-fogo – Membros da equipe de observadores das Nações Unidas que fiscalizam o cumprimento do acordo de cessar-fogo em vigor no país desde 12 de abril foram ao local das explosões, onde uma enorme cratera foi aberta, segundo a rede britânica BBC. Um dia antes, uma bomba explodiu perto de um comboio da própria ONU na cidade de Deraa, em mais uma evidência do desrespeito à trégua. Seis soldados ficaram feridos, mas os observadores não foram atingidos.

Também nesta quinta-feira, tropas das Forças Armadas voltaram a bombardear a cidade de Homs, principal enclave da oposição a Bashar Assad. Ativistas contrários ao regime descreveram os bombardeios como os piores em semanas. Onze observadores da ONU estão em Homs para tentar assegurar o cumprimento do cessar-fogo – a equipe tem 70 integrantes em toda a Síria, número que deve aumentar para 300 no final de maio.

De acordo com as Nações Unidas, ao menos 9.400 pessoas morreram desde o início dos protestos contra Bashar Assad, em março do ano passado. No último mês de fevereiro, o governo sírio afirmou que os mortos somavam 3.838 – 2.493 civis e 1.345 combatentes.

Carros ficaram completamente destruídos após serem atingidos por explosão em Damasco
Carros ficaram completamente destruídos após serem atingidos por explosão em Damasco VEJA

(Com agências EFE e France-Presse)

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