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Ex-embaixadora sentiu-se ameaçada por Trump, revela em depoimento

Câmara dos Deputados libera transcrições da audiência fechada da ex-enviada à Ucrânia Marie Yovanovitch

Por Da Redação - 4 nov 2019, 19h56

A ex-embaixadora americana na Ucrânia, Marie Yovanovitch, disse que sentiu-se ameaçada com uma observação enigmática que o presidente Donald Trump fez sobre ela em um telefonema com o líder ucraniano, Vladimir Zelensky. Referindo-se a Yovanovitch, afirmou: “Ela está passando por algumas coisas”. 

A embaixadora de mais de 30 anos de carreira testemunhou no inquérito de impeachment contra o presidente dos Estados Unidos no dia 11 de outubro, e, nesta segunda-feira, 4, a Câmara dos Deputados liberou as transcrições da audiência fechada.

Yovanovitch declarou, sobre a fala do presidente no telefonema de 25 de julho: “Não entendi o que ele quis dizer. Fiquei muito preocupada, e ainda estou”, reportou a emissora BBC. A conversa entre os dois presidentes desencadeou a atual investigação que poderia remover Trump do cargo por supostos abusos de poder. O presidente americano também referiu-se a ela como “más notícias”.

A abertura das transcrições de depoimentos ao público ocorre ao mesmo tempo que quatro funcionários da Casa Branca, incluindo John Eisenberg, advogado central da controvérsia na Ucrânia, desafiam intimações para testemunhar. Trump tuitou que não vê “nenhuma razão” para audiências sobre a conversa com Zelensky, que ele novamente afirmou ter sido “perfeita”.

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A Casa Branca continua resistindo contra os democratas da Câmara, que tentam ir mais a fundo entre os funcionários que saibam sobre as tentativas de Trump de pressionar o presidente da Ucrânia a investigar Joe Biden e seu filho, Hunter, quando um auxílio militar ao país estava congelado. Biden é um possível candidato do Partido Democrata para as eleições de 2020, e concorreria contra o republicano.

Yovanovitch, que não estava alinhada com o presidente, seria um obstáculo para esse “toma lá dá cá”. No seu depoimento, diz que o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, iniciou esforços para desacreditá-la no final de 2018, espalhando “falsidades” a fim de “prejudicá-la nos Estados Unidos”, segundo o jornal The Washington Post.

A ex-embaixadora acrescentou que foi avisada pelo ministro da Justiça da Ucrânia de que “precisava me cuidar”.

Além do depoimento de Yovanovitch, também ficou público o de Michael McKinley, ex-consultor do secretário de Estado Mike Pompeo. Ele se demitiu no dia 10 de outubro, por preocupação acerca do “envolvimento das nossas funções para buscar informações políticas negativas para propósitos domésticos”.

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A liberação das transcrições faz parte da iniciativa de tornar o inquérito de impeachment mais aberto. O presidente do comitê de inteligência da Câmara, Adam Schiff, disse que as audiências abertas começariam “em breve”, mas sem fornecer um cronograma.

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