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Ex-chefe de segurança da China é preso por corrupção

Ex-membro do Politburo, Zhou Yongkang também foi expulso do Partido Comunista

Por Da Redação - 5 dez 2014, 18h02

O ex-chefe de segurança da China, Zhou Yongkang, foi preso sob a acusação de corrupção e expulso do Partido Comunista. Zhou, de 72 anos, é o primeiro ex-membro da elite do Comitê Permanente do Politiburo, o órgão supremo do Partido Comunista, a ser investigado por corrupção. Ao longo dos cinco anos em que integrou o comitê, de 2007 a 2012, ele supervisionou as forças de segurança e policiais, os tribunais, as promotorias e as prisões. Ele deixou o poder em novembro de 2012, no mesmo congresso que apontou Xi Jinping como líder do partido, informou o jornal The New York Times.

Ele caiu em desgraça depois que vários antigos associados e parentes foram denunciados por corrupção. Pouco depois de sua retirada do Politburo, o presidente e seus aliados iniciaram investigações que atingiram as bases de poder de Zhou, especialmente na província de Sichuan, no sudoeste do país, e também no maior conglomerado de petróleo e gás do país, a Corporação Nacional de Petróleo da China, onde Zhou foi administrador geral.

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A notícia sobre a prisão e a expulsão de Zhou foi divulgada pela agência estatal de notícias Xinhua, que não deu detalhes sobre as acusações que pesam contra ele. Citou, no entanto, acusações de aceitar suborno, ajudar familiares e comparsas a drenar ativos do governo e vazar segredos de Estado e do partido.

Os investigadores concluíram que o ex-chefe de segurança “explorou sua posição para obter ganhos ilegais para várias pessoas, e direta ou indiretamente por meio de sua família recebeu grandes quantidades de suborno”, afirmou a Xinhua. Ele também “explorou seus poderes para ajudar parentes, amantes e amigos a conseguir ganhos significativos por meio de suas atividades econômicas”. Zhou também revelou segredos do partido e de Estado e trocou favores e dinheiro por sexo com várias mulheres, acrescentou a agência estatal.

Em relação à acusação de abuso de poder para enriquecer familiares e amigos, o argumento parece ter ligação com sua influência no setor de energia. Uma reportagem publicada pelo jornal americano afirmou que o filho, a cunhada e a sogra do filho tinham ativos que totalizavam cerca de 160 bilhões de dólares, em grande parte a partir de indústrias de petróleo e gás.

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Corrupção – Desde que chegou ao poder, o presidente Xi Jinping lançou uma campanha de combate à corrupção. Analistas, no entanto, dizem que a investigação contra Zhou pode ter motivos políticos, uma vez que sua exclusão da legenda ajudará Xi a consolidar sua base governista. O objetivo final seria excluir os que se opõem às suas reformas políticas e melhorar a imagem do partido.

As ações, contudo, tiveram pouco impacto na percepção da China como um país profundamente corrupto. Em um ranking publicado esta semana, a ONG Transparência Internacional apontou uma queda de vinte posições da China, passando de 80 para a 100 na lista. Porta-voz do grupo que coordenou o trabalho, Thomas Coobes explica que a percepção da corrupção não melhora porque os chineses consideram a campanha de combate de Xi Jinping incompleta, motivada politicamente e opaca.

Bo Xilai – Zhou manteve por muitos anos um relacionamento próximo com o ex-chefe do Partido Comunista na cidade de Chongqing, Bo Xilai. No ano passado, Bo foi condenado à prisão perpétua por receber propina. A mulher do político, Gu Kailai, teve uma sentença à pena de morte suspensa em 2012 pelo assassinato de Neil Heywood, um empresário britânico. A condenação de Bo foi vista como a maior reviravolta na elite política da China nas últimas décadas e revelou ao mundo as divisões internas do Partido Comunista sobre como o caso deveria ser tratado pela Justiça.

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