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Europa tenta encurralar o governo sírio com novas sanções

Os países europeus aprovaram nesta segunda-feira novas sanções contra o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, em uma reunião de chanceleres em Bruxelas na qual decidiram apoiar o plano de paz impulsionado por Kofi Annan, mas com a ideia de fixar um prazo.

A União Europeia decidiu congelar os bens de duas empresas e de três pessoas consideradas fontes de financiamento do governo Assad, durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores em Bruxelas.

Com estas, já são 128 pessoas e 43 empresas que foram incluídas na lista negra das sanções europeias, que têm como alvos o Banco Central, o comércio de metais preciosos e o frete aéreo.

Um embargo de petróleo e outro sobre as armas que podem ser utilizadas na repressão completam as sanções da União Europeia contra o regime sírio.

“A violência é chocante”, considerou a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. “Enquanto continuar a repressão (por parte do regime sírio), continuaremos exercendo pressão sobre as autoridades”.

“A informação que temos é francamente preocupante”, afirmou o chanceler espanhol, José Manuel García-Margallo.

As pessoas sancionadas também serão privadas de visto para qualquer país da UE. Mas seus nomes serão publicados depois no diário oficial.

Durante sua última reunião em abril, os ministros haviam decidido proibir as exportações de produtos de luxo para a Síria, uma medida essencialmente simbólica contra o casal Assad.

“Devemos continuar exercendo a pressão política”, disse o chanceler de Luxemburgo, Jean Asselborn.

Embora os ministros tenham reafirmado o seu compromisso com o plano de paz do enviado especial da Liga Árabe e da ONU para a Síria, Kofi Annan, admitiram que está demorando demais para que haja resultados.

Mesmo sendo “o melhor para que se consiga uma transição pacífica na Síria”, o plano não conta com “todo o tempo do mundo para funcionar”, lembrou Hague.

“Decidiu-se continuar apoiando o plano de paz de seis pontos de Kofi Annan, mas que seja estabelecido um prazo para apresentar um resultado concreto de sua missão, levando-se em conta que a cada dia que passa as matanças continuam”, indicou García-Margallo.

De qualquer maneira, esta é “a única alternativa que temos para evitar que as atrocidades continuem” nesse país, considerou Asselborn.

“Não há outra solução: a solução militar não é uma solução nem para a Europa, nem para os outros países”, insistiu.

As sanções que a União Europeia impôs até agora (e este é o pacote número 15), afetam pouco o governo Assad.

Quase 150 observadores militares da ONU estão agora na Síria para monitorar a suspensão das hostilidades, que supostamente começou no dia 12 de abril, mas os ataques entre governo e grupos da oposição continuam.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede na Grã-Bretanha, pelo menos 23 soldados sírios morreram nesta segunda-feira em Rastan, na província de Homs, centro da Síria, em violentos combates entre rebeldes e forças leais ao regime.

Para o OSDH, mais de 900 pessoas, das quais quase 700 civies, morreram em atos de violência desde que entrou em vigor o cessar-fogo, no dia 12 de abril. Em quase 14 meses, a repressão e os combates deixaram mais de 12.000 mortos, civis em sua grande maioria.

O regime de Bashar al-Assad afirma lutar contra “grupos terroristas” que considera responsáveis pelos atentados que foram registrados no país desde dezembro de 2011.