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EUA impõe sanções a rede de financiamento da guarda do Irã

Segundo Tesouro americano, regime iraniano e o seu Banco Central usam entidades para comprar dólares e financiar atividades malignas

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs nesta quinta-feira (10) novas sanções a uma rede que opera nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e no Irã dedicada ao fornecimento de centenas de milhões de dólares à Força Quds, o grupo de elite da Guarda Revolucionária iraniana.

O Tesouro chamou o Banco Central iraniano de “cúmplice” do exército de elite de Teerã, alegando que o banco deu ao grupo acesso a fundos mantidos em contas bancárias no exterior.

“O regime iraniano e o seu Banco Central abusaram do acesso a entidades nos Emirados Árabes Unidos para comprar dólares para financiar as atividades malignas da Guarda da Revolução (…), principalmente para financiar e armar grupos regionais, escondendo o propósito para o qual os dólares foram adquiridos”, afirmou Steven Mnuchin, secretário do Tesouro, em comunicado.

“Pretendemos cortar as fontes de renda da Guarda Revolucionária, de onde quer que venham e seja qual for o destino”, acrescentou. Segundo o Tesouro, a rede em questão manejava “centenas de milhões de dólares” em transações monetárias.

As novas medidas, que afetam nove entidades e indivíduos iranianos, foram tomadas depois que o presidente Donald Trump anunciou na terça-feira (8) a retirada dos Estados Unidos do pacto nuclear com o Irã e ordenou a retomada das sanções econômicas sobre o governo da República Islâmica. As medidas punitivas impostas nesta quinta são as primeira desde o anúncio da decisão de Trump.

Como consequência desta nova rodada de sanções, ficam congelados os ativos que essas empresas e indivíduos possam ter sob jurisdição dos Estados Unidos. Qualquer transação financeira com entidades americanas também está proibida.

Entre as pessoas e empresas sancionadas estão uma suposta “companhia de fachada” do exército de elite iraniano em Teerã, Jahan Aras Kish, e uma casa de câmbio, Rashed Exchange.

Com a assinatura do pacto nuclear em 2015, em troca do comprometimento de Teerã de restringir seu programa nuclear, potências mundiais retiraram as sanções econômicas paralisantes, que haviam bloqueado o Irã das negociações bancárias e de petróleo internacionalmente. Além disso, deram ao país permissão para comprar aeronaves comerciais e realizar negócios em outras áreas. O acordo também descongelou bilhões de dólares que Teerã tinha no exterior.

Porém, com a saída dos Estados Unidos do pacto nuclear, estipulado entre o Irã e o Grupo 5+1 (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido, mais Alemanha), Washington concedeu um prazo de entre 90 e 180 dias para que as empresas com relações comerciais com o Irã encerrem os negócios.

(Com EFE e Estadão Conteúdo)