Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

Equador decreta estado de exceção em meio a atos violentos

Governo de Lenín Moreno enfrenta greve dos transportes e protestos devido à forte alta de até 123% no preço dos combustíveis

Por Da Redação 4 out 2019, 03h00

O Equador entrou em estado de exceção nesta quinta-feira 3 por ordem do governo, em meio a uma greve dos transportes e de protestos devido à forte alta de até 123% no preço dos combustíveis.

O governo de Lenín Moreno está no centro da revolta popular por conta do desmonte dos subsídios ao diesel e à gasolina em função de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e que levaram ao aumento das tarifas de até 123%.

Greves, manifestações, ataques a caixas automáticos, e saques a supermercados e lojas se multiplicaram nesta quinta-feira, deixando dezenas de feridos.

“Até o momento temos 21 policiais feridos, e 277 detidos por atos de vandalismo e atentado contra apropriedade”, informou o ministro da Defesa, Oswaldo Jarrín, na noite desta quinta.

O Serviço de Gestão de Riscos comunicou 14 civis feridos durante os incidentes. Os trabalhadores dos transportes assinalaram que manterão por tempo indeterminado a greve deflagrada nesta quinta-feira, após o forte aumento nos preços dos combustíveis.

“Confirmamos que vamos manter a medida indefinidamente”, disse Carlos Brunis, líder dos taxistas de Quito, sobre a greve.

Encurralado, Moreno decidiu recorrer à medida de exceção para “evitar o caos”. “Determinei o estado de exceção em nível nacional”, disse o presidente à imprensa, após liderar uma reunião de gabinete.

“Foram controlados quase todos os focos de violência gerados”, disse Lenín Moreno no início da noite, em Guayaquil, ao final do primeiro dia de uma greve nacional dos transportes, que qualificou de “golpista” e voltada para desestabilizar seu governo.

A princípio, a medida – que lhe permite restringir direitos como o de livre circulação, empregar a força armada para o controle público ou impor a censura prévia à imprensa – estará em vigor durante 60 dias, segundo o governo.

Continua após a publicidade

O Executivo enfrenta as primeiras consequências do convênio assinado em março com o FMI para obter créditos diante do elevado endividamento público da economia dolarizada.

Os meios de transporte pararam em vários pontos e universitários saíram às ruas em Quito no âmbito da maior greve no Equador desde a chegada da esquerda ao poder em 2007.

As manifestações levaram a fortes confrontos entre policiais e manifestantes, perto da sede do governo. Os agentes lançaram bombas de gás lacrimogênio contra as pessoas que protestavam fechando vias com pneus incendiadas.

Protestos sociais no Equador levaram a queda de três mandatários entre 1996 e 2007, período em que o país teve sete presidentes.

Em Caracas, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se solidarizou com os manifestantes. “Basta de Pacotaços doFMI! Chega de Miséria! #FuerzaEcuador (ForçaEquador)”, escreveu no Twitter.

Prova de resistência

Nesta quinta também foram suspensas as aulas no país, e as escolas permanecerão fechadas na sexta. Em Quito, os ônibus e táxis pararam de circular. O mesmo ocorreu em outras cidades, em protesto pelo aumento dos combustíveis que eram os mais baratos e utilizados em Equador.

Nesta quinta, o galão americano de diese passou de 1,03 dólar a 2,30 dólares, e o de gasolina foi de 1,85 dólar a 2,40, portanto organizações de indígenas e sindicais também pretendem protestar contra o governo.

Moreno, que culpa a piora das finanças públicas a seu antecessor e ex-aliado Rafael Correa (2007-2017), enfrenta um teste duro.

“Eu esperaria que esses protestos não tenham pressão (suficiente) para que o governo volte atrás nas medidas. Vamos esperar que não, porque seria um sinal de fraqueza enorme do governo, que implicaria em problemas maiores dos que o que ele está tentando resolver”, disse à AFP o cientista político Santiago BAsabe, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) de Quito.

(Com AFP)

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)