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Enviado dos EUA na coalizão que combate o Estado Islâmico renuncia

Assim como o secretário da Defesa Jim Mattis, Brett McGurk entregou o cargo após Donald Trump anunciar retirada de tropas da Síria

Brett McGurk, diplomata americano escolhido como enviado especial dos Estados Unidos à coalizão internacional que luta contra o Estado Islâmico (EI), apresentou sua renúncia na noite passada, informou na tarde deste sábado, 22, um funcionário do Departamento de Estado do país.

Sua demissão, que será efetiva em 31 de dezembro, ocorre logo após o presidente Donald Trump ordenar abruptamente a retirada das tropas americanas da Síria e do pedido de demissão do secretário da Defesa, Jim Mattis, citando desavenças importantes com o presidente.

McGurk, que foi nomeado por Barack Obama e a quem Trump manteve no cargo, disse na semana passada que “ninguém estava declarando uma missão cumprida” na batalha contra o EI, apenas dias antes do surpreendente anúncio da vitória contra o movimento extremista por parte do dissidente.

Trump, que adiou suas férias devido ao fracasso nas negociações pelo orçamento que provocaram a paralisação parcial do governo, insistiu neste sábado em que o EI “está praticamente derrotado”.

“Quando me tornei presidente, o Isis estava ficando louco”, tuitou o presidente, usando o acrônimo em inglês do grupo. “Agora, o Isis está praticamente derrotado e outros países locais, inclusive a Turquia, deveriam poder se encarregar facilmente do que resta. Estamos voltando para casa!”, acrescentou.

Segundo informes, McGurk disse em sua carta de renúncia que os militantes do EI não foram derrotados e que a retirada prematura das tropas americanas poderia fomentar condições que permitam aos extremistas voltar a tomar o poder na região.

Com 45 anos, o enviado deveria deixar o cargo em fevereiro, mas, segundo informes, sentiu que não poderia mais continuar o trabalho depois da declaração de Trump.

A notícia encerrou uma semana caótica em que Mattis, considerado um moderado na volúvel Casa Branca de Trump, renunciou depois de dizer ao presidente que não poderia aceitar sua decisão sobre a Síria.

A retirada das tropas de choque deixará milhares de combatentes curdos, que o Pentágono passou anos treinando e armado para combater o EI, vulneráveis a um ataque turco.

“Seria imprudente se disséssemos apenas: ‘Bom, o califado físico está derrotado, sendo assim podemos partir agora'”, disse McGurk a jornalistas no começo deste mês. “Acredito que qualquer um que tenha visto um conflito como este estaria de acordo com isso”.