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Eleições municipais e greve na Síria

O regime sírio, confrontado há nove meses por uma revolta popular violentamente reprimida, realiza nesta segunda-feira eleições municipais no país, onde os militantes pró-democracia lançaram uma campanha de desobediência civil.

É a primeira consulta pública realizada desde o início da contestação contra o regime do presidente Bashar al-Assad, que começou no dia 15 de março.

Mais de 14 milhões de eleitores foram convocados. As zonas eleitorais abriram às 08H00 locais (04H00 de Brasília) e serão fechadas às 22H00 locais (19H00 de Brasília). São mais de 42.000 candidatos para 17.000 vagas.

“As eleições acontecem tranquilamente, em um clima de democracia e bom atendimento”, declarou o chefe do Alto Comitê Eleitoral, Khalaf al-Ezzawi.

“Eu votei porque queremos contribuir com as reformas, elegendo os melhores”, disse, sem revelar sua identidade completa, Zeina, 35 anos, em Omeyyades.

Ahmad, um taxista, afirmou “todo mundo deve votar para responder aos que convocaram a greve”.

Ele fez referência aos militantes pró-democracia que convocaram uma campanha de desobediência civil e que foi iniciada no domingo com uma greve geral.

Nesta segunda-feira (12), a greve geral continuou em toda a região de Deraa (sul), berço da contestação.

“Ontem começamos a greve geral (…) que vai continuar até a queda do tirano. Hoje não enviaremos nossas crianças às escolas”, escreveram os militantes pró-democracia na página do Facebook “Syrian Revolution 2011”.

No terreno, a violência prosseguiu. Confrontos entre desertores e as forças de segurança em Idleb e Deraa, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Quatro civis foram mortos por tiros das forças de segurança na província de Homs, e três outros em Idleb, precisou o OSDH em um comunicado.

Estas votações foram organizadas em virtude da nova lei eleitoral adotada para “reforçar o princípio da descentralização”, de acordo com as autoridades.

“Estas eleições acontecem conforme o programa de reformas e prova a determinação dos líderes e do povo sírio de avançar na aplicação do programa de reformas”, declarou o ministro sírio da Informação à AFP.

Contudo, um opositor sob anonimato disse estar “alarmado com o fato de eleições acontecerem em tais circunstâncias. Estas eleições não interessam às cidades revoltadas”.

Segundo ele, a votação pôde ser organizada apenas “em regiões que ainda não se levantaram contra o regime”, ou seja, em Alep, alguns bairros de Damasco, as cidades de Sueida e Quneitra (sul), Tartus (noroeste) e alguns bairros de Lattaquie e Banias.

O movimento de contestação surgiu para pedir reformas democráticas, mas frente à determinação do regime, os manifestantes passaram a exigir a saída de Assad.

O presidente prometeu realizar as reformas para acabar com a hegemonia de seu partido, o Baath, e promulgou um decreto autorizando o multipartidarismo. Apesar disso, as forças de segurança e o exército continuaram a reprimir a contestação, que fez mais de 4.000 mortos desde maço, segundo a ONU.