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EI decapita as primeiras vítimas na cidade histórica de Palmira

Terroristas assassinaram pelo menos dezessete pessoas na região. Avanço dos jihadistas também ameaça patrimônio cultural dos séculos I e II d.C.

Pelo menos dezessete pessoas foram mortas nesta quarta-feira pelos terroristas do Estado Islâmico (EI) que dominaram a cidade história de Palmira, na Síria. Entre as vítimas estão integrantes das forças de segurança do país e civis partidários do ditador Bashar Assad. Segundo a organização Observatório Sírio para os Direitos Humanos, sediada na Grã-Bretanha, alguns dos mortos foram decapitados. Outras 49 pessoas já haviam sido assassinadas em áreas próximas à Palmira nos últimos dias.

O temor é de que o EI venha a cometer uma série de atrocidades na região. Ravina Shamdasani, uma porta-voz da ONU, denunciou o Exército sírio por ter impedido a população de fugir de Palmira – dos 200.000 moradores, apenas um terço teria conseguido deixar a cidade antes da chegada do EI. Os militares e policiais leais a Assad abandonaram seus postos após sete dias de combate com os terroristas e não colocaram em prática nenhuma medida de evacuação para os civis. As Forças Armadas também teriam destruído as usinas que geram energia para a cidade antes de partirem em retirada.

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Familiares de pessoas que residem em Palmira contaram que os terroristas estão fazendo uma varredura em todas as casas da cidade à procura de soldados sírios que possam estar escondidos. Um sistema de som instalado em uma mesquita tem alertado os civis para que não ofereçam cobertura aos militares leais a Assad, informou a rede BBC.

Antiguidades – A presença dos radicais coloca em risco ruínas classificadas pela Unesco como patrimônios da humanidade. Situada em um oásis, Palmira foi durante os séculos I e II d.C. um dos centros culturais mais importantes do mundo antigo e ponto de encontro das caravanas na Rota da Seda, que atravessavam o árido deserto do centro da Síria. A cidade era controlada na época pelo Império Romano, que construiu templos, arenas e outras edificações que estão em pé até hoje. Antes do início do confronto no país, em março de 2011, as ruínas eram uma das principais atrações turísticas da Síria. Os jihadistas fanáticos do EI consideram blasfêmia toda representação de culturas pré-islâmicas e ameaçam destruir Palmira, assim como já destruíram a cidade de Nimrod e museus no Iraque.

Infraestrutura – Além da catástrofe cultural e humana, a derrota abre caminho para os extremistas avançarem rumo a Homs e Damasco, áreas cruciais para a defesa do regime de Assad. Palmira é um ponto estratégico para o EI acessar as estradas que ligam a região central da Síria às cidades localizadas próximas à fronteira com o Líbano. A ditadura síria também sofrerá um duro revés econômico sem a cidade, uma vez que a área é repleta de reservas de gás natural que fornecem energia elétrica para os principais redutos governistas no oeste do país. Segundo a BBC, uma base militar aérea e uma penitenciária, localizadas nos arredores de Palmira, também foram dominadas pelo EI.

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(Com agência Reuters)