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Duplo sequestro das Farc ameaça frustrar processo de libertação de reféns

Governo de qualificou a guerrilha de hipócrita e com 'dupla moral'

Por Da Redação 10 fev 2011, 21h03

O sequestro de dois colombianos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no mesmo dia da libertação de um refém por parte da guerrilha chegou a ameaçar o fracasso do processo de libertação de cinco cativos do grupo iniciado na quarta-feira e que tem previsão de ser concluído no domingo.

O sequestro de Freddy Cuenca e Orlando Valdez, ambos funcionários de uma filial da multinacional irlandesa Smurfit Kappa, no departamento colombiano do Cauca, foi qualificada nesta quinta-feira de “inaceitável” pelo presidente Juan Manuel Santos, que acusou a guerrilha de hipocrisia e “dupla moral”.

Cuenca e Valdez, que trabalham para a companhia Cartón de Colombia, foram capturados na tarde da quarta-feira em uma estrada da zona rural de El Tambo, no departamento de Cauca (sul). Um terceiro funcionário da empresa, colega deles, também havia sido sequestrado, mas foi posto em liberdade posteriormente.

As autoridades militares em Popayán, capital de Cauca, atribuíram às Farc este duplo sequestro, realizado no mesmo dia em que ocorria o resgate do vereador Marcos Baquero, o primeiro dos cinco reféns cuja libertação foi anunciada pela guerrilha em dezembro do ano passado.

O presidente admitiu que cogitou suspender o processo de libertações de reféns das Farc após saber que a guerrilha tinha sequestrado os dois contratistas da empresa.

“Estive tentado a suspender as libertações dos reféns”, afirmou Santos, que divulgou nesta quinta-feira o duplo sequestro durante um ato oficial na Casa de Nariño (sede do Executivo colombiano). “Este jogo duplo, esta dupla moral, é totalmente inaceitável”.

Ele criticou o que considerou uma hipocrisia por parte da guerrilha. “É totalmente inaceitável que as Farc por um lado estejam libertando reféns, como um gesto de generosidade, e, por outro, sequestrando compatriotas”.

Mas Santos decidiu manter o processo de resgate, pelo qual as Farc elevariam a 19 o número de reféns libertados de maneira unilateral nos últimos três anos.

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“Não vamos suspender as libertações porque não quero frustrar a esperança das famílias desses reféns”, admitiu o líder.

Santos manteve o sinal verde à missão humanitária responsável pelo processo de resgate dos reféns das Farc, liderada pela ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, apoiada por funcionários do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e viabilizada por um helicóptero das Forças Armadas brasileiras.

Ao falar sobre a segunda etapa do processo de libertação, a porta-voz da delegação do CICV na Colômbia, María Cristina Rivera, disse à Agência Efe na cidade de Florencia que “tudo segue como estava previsto”.

A missão partirá de Florencia nesta sexta-feira entre 8h e 9h local (11h e 12h de Brasília), desde que as condições meteorológicas sejam propícias, anunciou a porta-voz.

Após a libertação de Baquero na quarta-feira, espera-se que nesta sexta-feira as Farc libertem o também vereador Armando Acuña e o infante da Marinha Henry López, no departamento de Caquetá (sul).

O processo tem conclusão prevista para domingo, com a libertação do major da Polícia Guillermo Solórzano e od cabo do Exército Salín Sanmiguel. Essa terceira e última etapa será realizada em Tolima (sudoeste) – região cuja capital é Ibagué.

Todos os reféns a serem libertados serão recebidos pelo CICV e por Piedad Córdoba, que atua como mediadora no processo.

Quando em dezembro passado a guerrilha anunciou a libertação desses cinco reféns, ela explicou que se tratava de um gesto de desagravo à ex-senadora opositora, que teve os direitos políticos cassados por 18 meses pela acusação de colaborar com as Farc.

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