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Ditador diz que continuará no poder durante a transição

Em um pronunciamento em rede de TV, Blaise Compaore pediu calma aos manifestantes. Imprensa local noticia que já morreram pelo menos 100 pessoas

O ditador de Burkina Faso, Blaise Compaore, anunciou nesta sexta-feira que por enquanto vai continuar no poder e o deixará após um “período de transição”, quando se compromete a ceder o comando ao presidente que for eleito democraticamente, declarou em um pronunciamento à nação. Segundo a rede BBC, em seu discurso, Compaore também informou da suspensão do estado de sítio que ele mesmo tinha decretado na tarde desta quinta-feira, após os protestos violentos na capital Uagadugu contra sua vontade de prolongar seu mandato, que já dura 27 anos.

O chefe de governo, que manteve a dissolução do Executivo, também confirmou o “cancelamento” do projeto de lei para modificar a Constituição que ia permitir-lhe aspirar a um quinto mandato. Compaore pediu aos líderes da oposição que ponham fim às manifestações e apelou para o diálogo com para buscar um caminho rumo à paz e ao restabelecimento da calma. “Os protestos que devastaram e afundaram nosso povo em um estado de estupor não honram esta terra, mas escutei a mensagem e compreendi as elevadas aspirações de mudança”, admitiu.

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Compaore também expressou seus “pêsames às famílias das vítimas” e pediu para a polícia e manifestantes respeitarem a integridade física dos cidadãos e as propriedades públicas e privadas, Segundo as notícias locais, os confrontos entre os manifestantes e as forças que defendem o regime deixaram ao menos uma centena de mortos. Líderes da oposição falam que o número de vítimas fatais é superior ao divulgado nos jornais.

“Continuo convencido de que o diálogo construtivo permitirá a nosso povo recuperar a tranquilidade de antes e olhar para o futuro com confiança”, acrescentou o ditador. Horas antes do discurso, o chefe do Estado-Maior, Honoré Nabere Traoré, anunciou a dissolução do Parlamento e do governo, através de um comunicado. O chefe do Exército burquinense informou a criação de um “órgão de transição integrado por todas as forças da nação”, para garantir o retorno à normalidade em um prazo de doze meses. Além disso, decretou o toque de recolher em todo o país.

Os protestos contra o ditador de Burkina Faso – que está no poder desde 1987 após protagonizar um golpe de Estado – começaram há dois dias, quando milhares de pessoas se manifestaram na capital ao grito de ‘vinte e sete anos é suficiente’, em alusão ao tempo que Compaore está no poder. Desde sua independência em 1960 até a chegada de Campaore à presidência em 1987, a história de Burkina Faso, antes conhecido como Alto Volta, se caracterizou por uma sucessão de golpes de Estado e ondas de violência.

(Com agências EFE e France-Presse)