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Criminoso nazista Erich Priebke é enterrado em cemitério de prisão

Sepultamento de ex-capitão da SS condenado por massacre encerra novela sobre escolha do local

Por Da Redação 7 nov 2013, 11h32

O corpo do criminoso de guerra nazista Erich Priebke foi finalmente enterrado após semanas de discussões e disputas sobre a escolha do local. Segundo reportagem jornal italiano La Repubblica publicada nesta quinta-feira, o nazista foi sepultado no cemitério de uma prisão italiana. “É o cemitério de uma prisão, o único pedaço de terra italiana onde a morte de Priebke pode se tornar apenas uma morte, e não uma simbologia nazista”, diz a reportagem, que acrescenta que a área é murada e o acesso é controlado. O local preciso não foi revelado.

No dia 19 de outubro, o advogado de Priebke havia anunciado que os restos mortais do nazista seriam sepultados depois que um acordo foi alcançado com as autoridades italianas, colocando fim à novela macabra sobre o local do enterro.

Nenhum cemitério queria receber o corpo do criminoso, que morreu no dia 11 de outubro, aos 100 anos, por repúdio aos crimes cometidos por ele ou por medo de que o túmulo se convertesse em local de peregrinação para neonazistas. Entre os locais que recusaram em série o enterro de Priebke estava sua cidade natal, Hennigsdorf, na Alemanha, Bariloche, na Argentina, onde ele viveu por mais de 40 anos, e Roma, onde passou seus últimos dias.

Piebke, um ex-capitão da SS, a força de elite nazista, foi condenado e cumpria pena desde 1998 por causa da sua participação na morte de 335 civis italianos no episódio da II Guerra Mundial que ficou conhecido como o Massacre das Fossas Ardeatinas.

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O massacre é o mais conhecido crime de guerra nazista na Itália. Foi uma represália à morte de 33 soldados alemães pela resistência italiana. Priebke e outros oficiais da SS receberam a ordem de matar dez italianos pora cada alemão morto. Duzentas e sessenta pessoas foram arrancadas de prisões romanas. Para completar o número, que foi pessoalmente exigido pelo ditador Adolf Hitler, os SS foram buscar judeus italianos escolhidos ao acaso em Roma.

Erich Priebke em unfirome nos anos 40
Erich Priebke em unfirome nos anos 40 VEJA

Após a guerra, Priebke conseguiu fugir para a Argentina por meio de uma rede do Vaticano que ajudava nazistas. Ele acabaria entrando no país com uma identidade falsa, mas menos de um ano depois voltaria a usar seu nome verdadeiro. Ele permaneceu na obscuridade por décadas trabalhando como professor na cidade de Bariloche até ser localizado por uma equipe de jornalistas americanos, em 1994. Ao conceder uma entrevista, Priebke justificou suas ações e usou o velho discurso de que “estava seguindo ordens”.

A reportagem causou indignação na Itália e na Argentina. Priebke foi preso logo depois e acabou sendo extraditado para a Itália em 1996. No mesmo ano, foi julgado e acabou absolvido em primeira instância. No julgamento do recurso, em 1998, no entanto, foi condenado à prisão perpétua e, um ano depois, beneficiado com a prisão domiciliar por causa da idade.

Além da escolha do local do enterro, o velório de Priebke já havia sido alvo de controvérsias na Itália. Primeiro o Vaticano recusou conceder ao nazista um velório religioso. A tarefa então foi assumida pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo dissidente da Igreja que rejeita as reformas instituídas pelo Concilio do Vaticano II.

A cerimônia, realizada no dia 15 de outubro acabou sendo suspensa após confrontos entre manifestantes na cidade de Albano Laziale, cerca de 25 quilômetros ao sul de Roma, onde a fraternidade possui uma sede. Centenas de pessoas gritaram “assassino” e atacaram o carro que levava o corpo. Alguns neonazistas tentaram se infiltrar para prestar homenagens e a polícia teve de intervir para conter os conflitos.

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