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Conheça outros papas que renunciaram antes de Bento XVI

Abdicar do pontificado não é fato inédito na história da Igreja, mas o último papa a fazê-lo foi Gregório XII, em 1415

A surpreendente renúncia do Papa Bento XVI, de 85 anos, anunciada na manhã desta segunda-feira, não é algo inédito na história da Igreja Católica. Segundo Richard McBrien, teólogo e padre americano, autor do livro Os Papas (Editora Loyola), inúmeras renúncias foram protocoladas ao longo dos últimos 2000 anos. O autor calcula que seis papas abdicaram, de fato, ao posto máximo do catolicismo – mas outros podem ter sido forçados a renunciar por razões políticas ou territoriais, sobretudo nos primórdios da criação da Igreja.

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A primeira renúncia ocorreu em 235 d.C., feita pelo papa Ponciano, quando este estava em exílio na Sardenha e percebeu que jamais seria solto para voltar ao Vaticano. À época, a ilha do Mediterrâneo era conhecida como a “ilha da morte”. O papa Silvério também abdicou da Cátedra de Pedro em 537 d.C., ao ser obrigado pela imperatriz Teodora a se exilar na ilha de Palmaria, também no Mediterrâneo. Quando conseguiu voltar ao Vaticano, a imperatriz já havia colocado outro pontífice em seu lugar, o papa Virgílio.

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A repercussão da renúncia em todo o mundo

Quase 500 anos depois, em 1009, teve-se notícia de uma nova renúncia: a do papa João XVIII, que abdicou pouco antes de sua morte para viver como monge na basílica de São Paulo, em Roma. O papa Bento IX renunciou em 1045 para beneficiar seu padrinho, João Graciano, que veio a se tornar o papa Gregório VI – mas Bento IX foi reempossado dois anos depois.

Galeria de imagens: O papado de Bento XVI

O papa Celestino V, que abdicou em 1234, é erroneamente considerado o primeiro papa a renunciar ao episcopado, segundo o livro de McBrien. Era um administrador ruim para a Igreja, nomeando cardeais diferentes para ocupar os mesmos cargos. Protocolou sua renúncia porque as obrigações da função não lhe permitiam a vida de eremita que almejava.

Confira o vídeo em que o papa Bento XVI anuncia renúncia

O último papa a renunciar antes de Bento XVI foi Gregório XII, em 1415. A renúncia foi parte de uma negociação feita no Concílio de Constança, no período do Grande Cisma do Ocidente – uma grande crise religiosa que ocorreu na Igreja Católica de 1378 a 1417. Gregório tinha 90 anos à época e sua renúncia fez com que a crise se estancasse.

Segundo o livro de McBrien, não se tem notícia de um papa que tenha renunciado por motivos de incapacidade física ou mental. Há rumores no Vaticano de que João Paulo II, que morreu em abril de 2005, havia escrito uma carta de renúncia e a deixado com os cardeais para que fosse protocolada caso ele fosse vítima de qualquer tipo de doença que o deixasse incapacitado.

A renúncia de Bento XVI foi tão surpreendente que levou o diretor de redação do jornal italiano La Reppublica a escrever: “Veremos uma sucessão de ineditismos. Não há história, literatura, doutrina, sequer uma prática estabelecida à qual se referir. O conclave não ocorrerá depois das exéquias, mas com um papa vivo. Esse conclave deverá se confrontar não somente com a memória do papa, mas com a força de seu pensamento – neste caso um papa teólogo, intelectual.”