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Começa cúpula do G8, com foco na primavera árabe

Energia nuclear e questão palestina também são pauta na reunião entre França, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Japão, Canadá e Rússia hoje

Os dirigentes da cúpula do G8 (que reúne França, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Japão, Canadá e Rússia) deram início nesta quinta-feira à reunião de dois dias na localidade francesa de Deauville, na França, cujo foco será a onda de revoltas no mundo árabe.

O presidente francês e anfitrião do encontro, Nicolas Sarkozy, deu as boas-vindas na cidade litorânea da Normandia aos chefes de estado participantes: os primeiros-ministros de Japão, Reino Unido, Itália e Canadá, além da chanceler alemã, Angela Merkel. Os últimos foram os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e Rússia, Dmitri Medvedev, que chegaram caminhando juntos. A reunião, realizada em meio a fortes medidas de segurança, começa com um almoço de trabalho, que repassará a situação da economia mundial, incluindo a crise da eurozona, e os esforços japoneses para superar o acidente nuclear de Fukushima.

O jantar desta primeira jornada será dedicado às reformas árabes e abordará a situação em Tunísia, Egito, Líbia, Síria e Iêmen. Merkel declarou nesta quinta-feira perante o Parlamento alemão que espera que a cúpula do G8 adote uma série de ajudas concretas para apoiar esses países árabes. Por sua vez, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse que as ajudas aos países árabes estão condicionadas a reformas e à transição democrática.

Entre os temas a serem discutidos discutirão também estão os desafios que o regime iraniano impõe e as consequências da morte de Osama bin Laden, sobretudo para o Afeganistão e o Paquistão. Os oito dirigentes, cujos países representam dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e 50 % do comércio, abordarão também a fragilidade da recuperação econômica e a crise da dívida da eurozona. Além disso, provavelmente falarão, de maneira informal, sobre a sucessão no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Antes do início da cúpula, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, afirmou que será feito o possível “para que não haja uma moratória” para a Grécia. Também apoiou a candidatura à direção do FMI da ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde.

Ameaça nuclear – A primeira sessão de trabalho tratará da segurança nuclear, das futuras políticas energéticas e da mudança climática. Merkel exigiu nesta quinta-feira perante o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) elevados padrões internacionais para a segurança das usinas nucleares.

Além disso, propôs que o G8 assuma um papel de destaque no uso seguro da energia atômica e uma verificação mundial das centrais existentes e em construção. Sarkozy iniciou uma sessão sobre mudança climática para que os países como a Alemanha, que estão renunciando à energia nuclear, expliquem como vão cumprir suas metas para reduzir as emissões poluentes.

Merkel ressaltou que a Alemanha pretende ser um exemplo mundial na produção ecológica de energia, já que pretende “alcançar de maneira acelerada a era das energias renováveis”.

Quem é o G8 – Desde 1975, um grupo de chefes de estado e diplomatas das mais ricas e industrializadas nações democráticas do mundo se reúne todos os anos para discutir grandes questões econômicas e políticas. Integram o G8 a França, os Estados Unidos, a Grã Bretanha, a Alemanha, a Itália, o Japão, o Canadá e a Rússia. Enquanto os seis primeiros participaram de todos os encontros desde 1975, o Canadá juntou-se aos demais no ano seguinte. Já a Rússia foi formalmente admitida apenas em 2006, quando sediou a primeira assembleia do G8 em seu território.

Embora sempre entrem na pauta uma série de preocupações domésticas de cada integrante, boa parte do debate é marcada por temas que dizem respeito à comunidade internacional como um todo. Com a globalização, observada especialmente a partir de meados dos anos 90, estas reuniões ganharam cada vez mais importância. Os encontros atraem os olhos de toda a imprensa mundial, bem como um considerável número de manifestações contrárias às ações das grandes potências.

(Com agência EFE)