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Colômbia e Farc voltam a negociar; trégua unilateral expirou

Desde o fim do cessar-fogo unilateral, narcoguerrilha já atacou instalações e realizou sequestros. Ações ocorrem em meio a tentativa de acordo de paz

Por Da Redação - 31 jan 2013, 20h16

O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) retomaram nesta quinta-feira em Cuba, após seis dias de recesso, as conversas em busca de um acordo de paz. O diálogo teve início em novembro do ano passado, em Havana, quando a narcoguerrilha anunciou uma trégua unilateral de dois meses. A guerrilha chegou a propôr um cessar-fogo bilateral, mas o governo colombiano rejeitou a proposta.

Desde que a trégua expirou, em 20 de janeiro, a guerrilha já atacou instalações petrolíferas e mineradoras, incluindo dois oleodutos e uma ferrovia carvoeira. No fim de semana passado, dois policiais foram sequestrados no sudoeste colombiano, segundo o governo. Este seria o primeiro caso desse tipo desde abril de 2012, quando as Farc libertaram os últimos militares e policiais ainda sob sua custódia e anunciaram o fim do sequestro de civis. Esta era uma exigência que o presidente Juan Manuel Santos havia feito publicamente ao considerar a possibilidade de um processo de paz.

Nesta quinta-feira, foram libertados três funcionários da empresa canadense Gran Tierra Energy, que haviam sido feito reféns na véspera. A libertação ocorreu depois de uma ofensiva das forças do governo no norte do país, que deixou cinco rebeldes mortos. Apesar de as autoridades colombianas responsabilizarem as Farc pelo sequestro, o grupo não confirmou a ação. Por outro lado, as Farc mataram quatro soldados, no departamento de Narino (sudoeste), importante rota de acesso do narcotráfico para o Pacífico, em um sinal de endurecimento sobre o governo.

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Desafios – A situação em Narino é representativa dos grandes desafios para a segurança da Colômbia – ali, grupos rebeldes e quadrilhas de traficantes eventualmente lutam ou se associam para transportar carregamentos de cocaína onde há escassa presença governamental. A escalada de hostilidades pode afetar o andamento do processo de paz, que busca encerrar uma guerra civil de cinco décadas.

O presidente Juan Manuel Santos diz que pretende assinar um acordo de paz em um ano. Mas o comandante das Farc Iván Márquez reiterou nesta quinta que o grupo não quer um prazo para a negociação. “Estamos dispostos a permanecer nas negociações até encontrarmos um caminho que nos leve à paz. Por isso, não vamos nos levantar da mesa até que o desejo do povo colombiano se cumpra.”

(Com agências EFE e Reuters)

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