Cinco anos depois do fim de Kadafi, Líbia está à beira do colapso

Revolução que derrubou o ditador Kadafi prometia democracia, mas país está se desintegrando

Por Da redação - 22 out 2016, 19h46

Caos, colapso econômico, terrorismo e tensões políticas. Cinco anos depois da morte do ex-ditador Muammar Kadafi, a Líbia segue afundada em uma crise sem precedentes. Os ventos da Primavera Árabe, que soprou pelo Mediterrâneo e enterrou mais de 40 anos de regime autoritário, com a vã esperança de criar novas instituições democráticas, conduziram o país a uma nova fase de guerra civil, após aquela iniciada com a revolução.

O sonho de criar um governo unitário, capaz de enfrentar a emergência do terrorismo e a crise migratória, se realizou apenas no papel, levando, ao invés disso, a uma descentralização política e administrativa, apesar dos esforços das Nações Unidas (ONU) e da comunidade internacional.

Do punho de ferro de Kadafi, a Líbia passou para um período de anarquia institucional, que atualmente opõe as forças do Conselho Presidencial liderado por Fayez al Sarraj — apoiado pelo Ocidente e pela ONU — às autoridades de Tobruk, no leste, sustentadas pelo comandante das Forças Armadas, Khalifa Haftar.

Leia também
Guarda costeira italiana resgata 6.500 emigrantes no Mediterrâneo
Forças líbias tomam centro de comando do EI em Sirte
Carro-bomba deixa mais de 20 mortos em Benghazi, na Líbia

Tobruk e seu Parlamento não reconhecem o governo de Trípoli, nascido em dezembro de 2015, no Marrocos, e o definem como ilegítimo. E a disputa por poder se reflete também no campo de batalha. Um exemplo disso é a blitz de Haftar em setembro passado para tirar de milícias fiéis a Trípoli o controle de portos exportadores de petróleo.

Publicidade

Dois governos, golpes e terroristas — Também houve a recente tentativa de golpe na capital por parte de grupos ligados à Irmandade Muçulmana e guiados pelo ex-premiê Khalifa Al Ghwell. Central nesse contexto é o violento conflito com o Estado Islâmico (EI) em Sirte, cidade onde Kadafi foi morto.

Embora a parábola do grupo jihadista esteja em sua fase descendente, graças às milícias que a bombardeiam há meses com a ajuda dos EUA, muitos especialistas ainda temem que a Líbia possa se tornar uma nova Somália.

Além disso, o explosivo quebra-cabeças líbio ainda inclui organizações inspiradas na Al Qaeda em Benghazi, numerosos atentados contra civis, a tragédia dos imigrantes no Mediterrâneo e o drama dos deslocados internos. Essa é a herança deixada por aquele 20 de outubro de 2011, quando a Primavera Árabe encerrou a vida e o domínio de um dos ditadores mais cruéis e longevos do século 20.

(Com ANSA)

Publicidade