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China e EUA trocam farpas antes de novos protestos em Hong Kong

Pequim acusou americanos de interferirem nos assuntos da ex-colônia britânica após diplomata americana ser fotografada com manifestantes

A China e os Estados Unidos trocaram novos insultos nesta sexta-feira, 9, antes de mais um fim de semana de protestos em Hong Kong. 

Na quinta-feira 8, Washington acusou Pequim de conduzir um “regime truculento” depois que um jornal ligado ao governo chinês publicou o nome e uma foto de uma diplomata americana durante um encontro com ativistas em Hong Kong.

A porta-voz do Departamento de Estado americano Morgan Ortagus reagiu à acusação chinesa e declarou que a divulgação de informações pessoais de um diplomata dos Estados Unidos é “uma atitude digna de um regime truculento.”

Ortagus ressaltou que encontros com diferentes pessoas, entre elas líderes da oposição, faz parte do trabalho de diplomatas americanos. Ela ainda acusou a China de vazar fotos da diplomata Julie Eadeh, além dos nomes de seus filhos, dizendo que “esta não é a forma como uma nação responsável deveria agir.”

Por sua vez, a China reagiu imediatamente aos comentários e afirmou nesta sexta que os ataques americanos fazem parte de uma “lógica gângster”. O Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau do Ministério das Relações Exteriores da China ainda acusou os americanos de interferirem nos assuntos da cidade.

O governo chinês está envolvido em uma guerra comercial, tecnológica e monetária com os Estados Unidos. A tensão sofreu uma escalada desde que Washington anunciou tarifas adicionais de 10% sobre 300 bilhões de dólares de produtos chineses na semana passada, e Pequim retaliou com a desvalorização do yuan, que derrubou mercados pelo mundo.

Wall Street teve seu pior dia do ano nesta segunda-feira 5, com queda de 2,90% do Dow Jones, 3,47% do Nasdaq e 2,98% do S&P 500. No mesmo dia, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou com queda de 2,51%.

Novo fim de semana de protestos

Manifestantes ocuparam o saguão de desembarque do aeroporto de Hong Kong nesta sexta-feira, distribuindo panfletos antigoverno e erguendo cartazes em uma dúzia de idiomas na tentativa de conscientizar os visitantes na véspera de protestos planejados em toda a cidade no final de semana.

Cerca de 1.000 manifestantes, a maioria jovens de camiseta preta, distribuíram panfletos com o título “Caros viajantes”, com ilustrações retratando os protestos realizados desde junho, que mergulharam o polo financeiro em sua maior crise desde que o Reino Unido o devolveu ao controle da China em 1997.

“Desculpem-nos pela Hong Kong ‘inesperada'”, diziam os panfletos, em inglês. “Vocês chegaram a uma cidade arruinada e dividida, não àquela que um dia imaginaram. Mas é por esta Hong Kong que lutamos”.

Os protestos cada vez mais violentos representam um dos desafios mais sérios ao líder chinês, Xi Jinping.

O que começou como uma reação raivosa a um projeto de lei, hoje suspenso, que permitiria que suspeitos de crimes fossem extraditados para serem julgados em tribunais chineses, passou a incluir exigências de maior democracia, da renúncia da líder de Hong Kong, Carrie Lam, e até de uma proibição a turistas da China continental.

A multidão no aeroporto ocupou duas seções do saguão de desembarque. Os manifestantes entoavam “Você Ouve o Povo Cantar?”, do musical Os Miseráveis, e bradavam “Democracia já” e “Moradores de Hong Kong, joguem gasolina!”.

A manifestação no aeroporto coincidiu com o momento em que os poderosos empreendedores imobiliários da cidade se pronunciaram pela primeira vez, pedindo calma depois de uma dúzia de grandes empresas alertar nos últimos dias que os tumultos afetaram os lucros.

“A comunidade de Hong Kong está sofrendo com os atos de violência perpetrados por um grupo pequenos de indivíduos ultimamente”, disse um comunicado assinado por 17 empreendedores, entre eles Henderson Land Development, New World Development e Sun Hung Kai Properties.

“Tais atos se desviaram da intenção original das manifestações pacíficas e estão causando transtorno à comunidade empresarial e ao público como um todo.”

Carrie marcou uma coletiva de imprensa para as 17h15 locais de sábado (6h15 em Brasília) com o secretário das Finanças, Paul Chan, e o secretário de Comércio e Desenvolvimento Econômico, Edward Yau, já que os efeitos negativos dos protestos estão se ampliando.

(Com Reuters e Agência Brasil)