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China adverte EUA contra instalação de mísseis na Ásia

Secretário de Defesa americano afirmou ser favorável à instalação de armamentos; Washington e Pequim travam guerra comercial, tecnológica e monetária

A China ameaçou nesta terça-feira, 6, retaliar caso os Estados Unidos instalem mísseis na região Ásia/Pacífico, após Washington demonstrar intenções de instalar novos armamentos na área “o mais rápido possível”.

O governo chinês está envolvido em uma guerra comercial, tecnológica e monetária com os Estados Unidos. A tesão sofreu uma escalada desde que Washington anunciou tarifas adicionais de 10% sobre 300 bilhões de dólares de produtos chineses na semana passada, e Pequim retaliou com a desvalorização do yuan, que derrubou mercados pelo mundo.

Wall Street teve seu pior dia do ano nesta segunda-feira 5, com queda de 2,90% do Dow Jones, 3,47% do Nasdaq e 2,98% do S&P 500. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou com queda de 2,51%.

O gigante asiático também denuncia com frequência a presença militar americana na Ásia, promovida por países aliados de Washington, como Japão, Coreia do Sul e Austrália.

Nesta terça, sem uma menção direta, a diplomacia chinesa atacou o novo secretário de Defesa americano, Mark Esper, que no sábado afirmou ser favorável à instalação de novos mísseis americanos na Ásia.

“A China não ficará de braços cruzados e será obrigada a adotar medidas caso os Estados Unidos instalem mísseis de médio alcance nesta região do mundo”, advertiu o diretor do departamento de Controle de Armas da chancelaria chinesa, Fu Cong.

“Apelamos aos países vizinhos para que mostrem prudência e não permitam a instalação de mísseis americanos em seu solo, porque isto não estaria de acordo com sua própria segurança nacional”, completou o diretor.

Questionado sobre a reação chinesa, Esper tentou suavizar suas declarações de sábado e afirmou que não há nenhum país que deve receber mísseis. “Ainda estamos muito longe disso. Vai levar alguns anos antes que possamos instalar mísseis operacionais”, disse nesta terça.

Alguns analistas acreditam que Washington poderia instalar os novos mísseis em sua ilha de Guam, no Pacífico. Fu alertou que isto seria o equivalente a posicioná-los “na porta da China”.

“Se instalarem mísseis em uma faixa de terra como Guam, isto será interpretado como altamente provocador por parte dos Estados Unidos. Seria muito perigoso”, avisou o funcionário chinês. Guam fica a quase 3.000 km da China.

As declarações de Fu recordam a crise dos mísseis soviéticos em Cuba em 1962, quando o mundo ficou à beira de um conflito nuclear, depois que Washington se recusou a aceitar que Moscou instalasse mísseis perto de seu território (a apenas 150 km).

O governo dos Estados Unidos se retirou na sexta-feira 2 do Tratado de Armas Nucleares Intermediárias (INF, na sigla em inglês), assinado entre Washington e Moscou durante a Guerra Fria para vetar os mísseis de médio alcance (de 500 a 5.500 km).

O alvo americano com o fim do acordo não é a Rússia, mas sim a China. Ao abandonar o INF, Washington fica livre para tentar conter o arsenal de Pequim, que já inclui modelos de mísseis de médio alcance proibidos por este tratado, do qual o regime chinês nunca foi signatário.

Fu Cong criticou a saída dos Estados Unidos do tratado e disse que era “uma nova prova de unilateralismo, que pode apenas ter consequências negativas”.

O representante chinês afirmou que Washington abandonou o acordo apenas para poder “desenvolver suas capacidades balísticas” e não por causa do arsenal chinês ou por Moscou ter violado o texto, como alegou o governo americano.

Ele disse ainda que Pequim não participará em negociações trilaterais sobre a redução do armamento com Moscou e Washington, como desejam os americanos, por não considerar a iniciativa “equitativa”, em função da diferença entre o arsenal nuclear da China e dos Estados Unidos e da Rússia.

Na região Ásia-Pacífico, Pequim e Washington travam uma disputa pelo Mar da China Meridional, uma zona que os chineses reivindicam com sua, com a construção de instalações militares em ilhas que países vizinhos consideram parte de seu território.

(Com AFP)