Coronavírus: Chilenos entram em confronto com polícia em ato contra falta de alimentos | VEJA
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Chilenos entram em confronto com polícia em ato contra falta de alimentos

Famílias têm passado dificuldade no bairro de El Bosque, em Santiago, onde moram muitos trabalhadores informais e desempregados

Por Da Redação Atualizado em 19 Maio 2020, 09h57 - Publicado em 19 Maio 2020, 09h51

Policiais e manifestantes entraram em confronto em Santiago, nesta segunda-feira 18, durante um protesto contra a falta de alimentos e trabalho devido à crise provocada pelo novo coronavírus, que mantém a capital do Chile em quarentena total.

Um grupo de manifestantes atirou pedras, gritou palavras de ordem e queimou pilhas de madeira ao longo de uma rua na empobrecida vizinhança na periferia ao sul de Santiago. Imagens em redes sociais e em canais de televisão mostraram a polícia usando gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão que crescia.

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O município disse em nota que famílias estavam passando fome nas regiões mais pobres de El Bosque, um bairro onde moram muitos trabalhadores informais e desempregados. O distrito urbano está em quarentena desde meados de abril, segundo disseram as autoridades municipais em nota.

“As últimas semanas tiveram uma grande demanda de moradores da região por comida”, disse o prefeito de El Bosque, Sadi Melo, que é do partido Socialista chileno, de oposição ao atual governo federal. “Estamos em uma situação muito complexa de fome e falta de trabalho”.

Santiago é uma das cidades mais prósperas da América Latina. Mas uma divisão nítida entre pobres e ricos e a crescente percepção da desigualdade levou a protestos de massa no final de 2019. Muitas das pautas reivindicadas pelos manifestantes no ano passado, desde o aumento de aposentadorias a reajustes salariais, continuam sem resolução.

Em nota, o gabinete de Melo disse que El Bosque havia distribuído mais de 2.000 pacotes de ajuda às famílias mais necessitadas, mas alertou que o governo central “não continue a sobrecarregar os municípios com uma responsabilidade econômica com a qual não conseguimos lidar”.

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Desde a última sexta-feira 15, Santiago está em quarentena total, mas, há dois meses, vários setores são afetados pelas medidas impostas para controlar a epidemia.

  • Quarentena no Senado

    Também nesta segunda, metade do Senado e quatro ministros entraram em quarentena preventiva depois de terem contato com pelo menos três legisladores que testaram positivo para o novo coronavírus nos últimos dias.

    Os ministros da Fazenda, Ignacio Briones, do Interior, Gonzalo Blumel (ambos muito próximos do presidente Sebastián Piñera), do Desenvolvimento Social, Sebastián Sichel, e o secretário-geral da Presidência, Felipe Ward, entraram em quarentena.

    No fim de semana, mais de 20 legisladores iniciaram uma quarentena preventiva depois de se reunir com dois senadores infectados, incluindo o vice-presidente do Senado, Rabindranath Quinteros (Partido Socialista), que sem sintomas viajou de avião para Puerto Montt, no sul do país.

    O Chile registra 46.059 casos da Covid-19, com 478 mortes, desde 3 de abril.

    (Com Reuters e AFP)

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