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Chile confirma 15 mortos e 11 mil desabrigados por incêndio

Especialista em urbanismo afirma que parte da culpa pela tragédia é da prefeitura de Valparaíso, que regularizou ocupações ilegais em morros

Por Da Redação - 15 abr 2014, 07h43

O governo do Chile confirmou na noite desta segunda-feira que quinze pessoas morreram por causa de um grande incêndio – que ainda não terminou – na cidade portuária de Valparaíso. O balanço oficial também indica que 2.500 casas foram destruídas e há mais de 11.000 desabrigados entre pessoas que perderam seus lares e outras que foram removidas de áreas de risco. Até o momento, pelo menos 1.145 hectares foram consumidos pelo fogo, uma área equivalente a quase 1.500 campos de futebol, afirmou o ministro do Interior, Rodrigo Peñailillo.

O incêndio começou no sábado passado em uma região florestal próxima da cidade e rapidamente se alastrou para as áreas povoadas de várias colinas vizinhas. Em entrevista coletiva, a presidente Michelle Bachelet explicou que 27 aeronaves estão sendo utilizadas no combate de alguns focos que ainda se encontram ativos. O governo enviou nesta segunda-feira 600 toneladas de alimentos, que estão sendo distribuídas por jovens voluntários. “Dizemos às famílias que, como governo, estaremos junto delas nos momentos de emergência e reconstrução de suas vidas”, reiterou Michelle.

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Peñalillo também informou que o contra-almirante Julio Leiva, responsável pela região, emitiu uma ordem que restringe o uso de veículos particulares pelas vias de acesso às colinas. “Isso é muito importante porque necessitamos de acesso livre aos setores atingidos e onde ainda existam focos ativos. Os veículos de emergência terão alta prioridade, assim como todos os veículos de ajuda humanitária”, enfatizou.

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Enquanto mais de mil bombeiros e brigadistas florestais lutam contra as chamas nas colinas da cidade, a discussão agora está centrada em estabelecer suas causas e em decifrar se a tragédia poderia ter sido evitada ou minimizada. Para o arquiteto e urbanista Ivan Poduje, o gigantesco incêndio que afetou seis montanhas de Valparaíso não foi só o resultado de uma combinação trágica e fortuita de fatores, mas consequência da negligência das autoridades para um problema que era conhecido por todos. “As consequências poderiam ser menores. Houve várias advertências por causa de incêndios anteriores, focos de risco foram detectados, mas nenhuma das recomendações foi acatada”, declarou Poduje.

Segundo Poduje, o incêndio queimou as colinas da parte mais alta da cidade, onde mora a população mais pobre, longe das pitorescas casas coloridas e os elevadores que chamam a atenção de milhares de turistas de todo o mundo que visitam a região. “Nessa região há bairros vulneráveis, sem infraestrutura, perto de córregos que acumulam lixo”, explicou o arquiteto. Em sua opinião, parte da culpa é da prefeitura, que no plano urbanístico da cidade regularizou bairros que estavam em áreas de risco, dotando-os de luz, água e ruas.

O acidente, o maior da história da cidade, começou no último sábado às 16h locais (mesmo horário de Brasília) em uma área florestal em La Pólvora, comunidade muito próxima da cidade de Valparaíso e a cerca de 120 quilômetros da capital Santiago. Situada em frente ao oceano Pacífico, a cidade de Valparaíso tem uma pequena parte plana em frente à costa e está rodeada por 42 colinas que, com a passagem dos anos foram sendo povoadas, muitas vezes de maneira irregular e longe do controle das autoridades.

Apesar do ambiente boêmio, da agitada vida noturna e do privilégio de ser Patrimônio da Humanidade da Unesco, a Valparaíso atual é apenas um vestígio da cidade sofisticada e elegante que foi no final do século XIX, quando se transformou na capital econômica do Chile graças ao comércio marítimo. Seu porto era parada obrigada para os navios que uniam o Atlântico e o Pacífico através do Estreito de Magalhães, enquanto a chegada de imigrantes italianos, espanhóis e ingleses deu o ar cosmopolita à cidade.

(Com agência EFE)

Vídeo: Incêndio em Valparaíso, no Chile

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