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Chefe da ONU diz que mundo está desunido e falhando no combate à Covid-19

António Guterres se disse frustrado e citou o aquecimento global como "maior desafio" da comunidade internacional

Por Da Redação - 17 out 2020, 22h10

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, revelou neste sábado, 17, que sente frustrado com a falta de união da comunidade internacional no combate à pandemia do coronavírus e outras questões como o aquecimento global, ao qual chamou de “maior desafio existencial” da atualidade.

“A pandemia de covid-19 constitui um grande desafio mundial – para toda a comunidade internacional, para o multilateralismo e para mim, enquanto secretário-geral das Nações Unidas. Infelizmente, é um teste em que, até ao momento, a comunidade internacional está falhando”, afirmou o português Guterres em entrevista a agência Lusa, de seu país, no dia em que completou quatro anos desde sua aclamação junto aos 193 Estados-membros da Assembleia-Geral da ONU.

“Morreram já mais de um milhão de pessoas e mais de 30 milhões foram infectadas, porque não se verificou um nível de coordenação suficiente na luta contra o vírus”, prosseguiu. “Se não forem tomadas medidas fortes e coordenadas, um vírus microscópico pode empurrar milhões de pessoas para a pobreza e a fome, com efeitos econômicos devastadores nos próximos anos.”

Além da pandemia, António Guterres demostrou enorme preocupação com as questões ambientais e ressaltou que “não há vacina para o aquecimento do planeta”. “O maior desafio existencial que enfrentamos é a crise climática. Não há vacina para o aquecimento do planeta”, disse. “Estamos fazendo muito pouco, muito tarde, como provam as consequências de furacões, inundações, incêndios florestais e secas a que temos vindo a assistir. Precisamos de uma mudança radical para responder com seriedade e rapidez acrescidas face ao que tem sido feito até agora”, prosseguiu.

O secretário-geral da ONU completou com uma espécie de mea culpa. “É, para mim, motivo de enorme frustração a falta de unidade da comunidade internacional na procura de soluções coerentes para os principais desafios mundiais, incluindo, entre outros, os conflitos que se arrastam no Afeganistão, Iémen, Síria”, disse. “No mundo interligado em que vivemos, urge reconhecer uma verdade essencial: ao demonstrarmos solidariedade, zelamos também pelos nossos interesses próprios! Todos perdemos, quando se ignora esta realidade.”

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