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Chávez volta a usar rede nacional para bloquear Capriles

Transmissão de comício do candidato da oposição foi interrompida mais uma vez. Uso do expediente subiu 291% nesta campanha, aponta levantamento

Por Da Redação 26 set 2012, 02h02

O coronel venezuelano Hugo Chávez voltou a utilizar nesta terça-feira um expediente antidemocrático na tentativa de prejudicar seu adversário nas eleições presidenciais, o candidato da coalizão opositora Henrique Capriles. No início da transmissão de um comício de Capriles na cidade de Maturín por emissoras privadas, uma rede nacional de TV foi convocada, bloqueando as imagens do ato da oposição.

Em seguida, Chávez apareceu em uma cerimônia de formação de policiais e ocupou as TVs da Venezuela por mais de uma hora. O comício só pôde ser acompanhado pela internet.

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Ao ser informado do corte promovido por ordem do tiranete, Capriles discursou para a multidão: “Sabe o que é? Eles têm medo que isto seja visto em toda a Venezuela”, disse o candidato. “O medo é grátis”, completou sob os aplausos do público, que lotava a avenida Juncal, uma das maiores de Maturín, com quase um quilômetro de extensão.

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Reincidência – Desde o início da campanha eleitoral, em julho, Chávez tem utilizado constantemente redes nacionais de TV para interromper as transmissões de atos políticos de Capriles, sob o argumento de que “os meios de comunicação da direita negam ao povo a verdadeira informação”.

Um levantamento do partido centrista Vontade Popular, que integra a coalizão de apoio a Capriles, aponta que o uso das cadeias nacionais por Chávez subiu 291% na atual campanha em comparação com a eleição presidencial de 2007. Em apenas três meses, Chávez ocupou mais de 43 horas da programação – uma média de quase 30 minutos diários.

A evidência de abuso de poder levou à ONG Espaço Público, que defende a liberdade de expressão e os direitos humanos, a lançar em agosto uma campanha para a suspensão das redes nacionais durante a corrida eleitoral. A proposta, no entanto, não foi à frente. A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisi Lucena, alegou que a entidade que organiza e fiscaliza as eleições na Venezuela não tem competência para regular as cadeias de TV convocadas pelo governo, por se tratarem de “matéria distinta à campanha eleioral”.

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Pesquisas – Mesmo enfrentanto tentativas de boicote, a campanha de Capriles vem avançando segundo os institutos de pesquisa. Os principais levantamentos mostram uma tendência clara: Capriles está reduzindo a vantagem inicialmente atribuída a Chávez e ao menos uma enquete já o coloca à frente do caudilho.

Segundo o instituto Datanálisis, o presidente venezuelano tem 49,4% das intenções de voto, contra 39% de Capriles – o candidato da oposição reduziu a vantagem de 20,4 para 10,4 pontos porcentuais entre maio e setembro. Além disso, 11,6% do eleitorado estaria indeciso, dos quais 83% tem tendência pró-Capriles. Outra pesquisa, do instituto Varianzas, mostra uma diferença ainda menor: 49,7% para Chávez e 47,7% para Capriles. Já uma enquete do Consultores 21 mostra o candidato da oposição à frente com 47,7% dos votos, enquanto Chávez teria 45,9%.

A eleição venezuelana ocorre em 7 de outubro. Hugo Chávez, de 58 anos, concorre a mais uma reeleição para tentar completar quase duas décadas no poder – ele comanda o país desde 1999 e ficaria até 2019 na Presidência. Henrique Capriles, de 40 anos, avança como o primeiro adversário com chances reais de derrotar o chavismo.

(Com agência France-Presse)

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