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Candidato à Presidência francesa é condenado por discurso de ódio

Eric Zemmour, da extrema-direita, terá que pagar 10.000 euros após ter chamado jovens imigrantes de 'ladrões, estupradores e assassinos'

Por Da Redação 17 jan 2022, 12h10

O candidato da extrema-direita à Presidência francesa Eric Zemmour foi condenado nesta segunda-feira, 17, a pagar 10.000 euros por discurso de ódio, após ter chamado jovens imigrantes que entraram de forma irregular no país de “ladrões, estupradores e assassinos”. O ex-comentarista político de 63 anos não estava presente no tribunal criminal de Paris quando o veredicto foi lido.

Segundo os juízes responsáveis pela decisão, tomada com base em “insulto público” e “incitação ao ódio ou violência” contra um grupo de pessoas com base em etnia, nacionalidade, raça ou religião, o político pode ser preso se não pagar a quantia.

Zemmour disse que pretende recorrer e, de acordo com seu advogado, não compareceu ao tribunal “para impedir que o espaço da lei fosse transformado em um estúdio de notícias televisivo sem pausas”.

O caso diz respeito às falas feitas em setembro do ano passado durante debate no canal francês CNews. Na ocasião, ele afirmou que crianças que viajam à França sem os pais ou responsáveis são “ladrões, assassinos, estupradores, isso que são. Precisamos mandá-los de volta”.

Em novembro, durante primeiro dia do julgamento, ele também não compareceu à corte e afirmou que a acusação seria parte de uma campanha para intimidá-lo.

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Durante diversas semanas do ano passado, pesquisas de opinião indicavam que Zemmour poderia chegar ao segundo turno em abril. Em seu auge, em uma pesquisa encomendada pelo jornal Le Monde, chegou a ter 16% das intenções de voto, à frente de Marine Le Pen, líder tradicional da extrema-direita, com 15%. Nesse cenário, ele enfrentaria o atual presidente francês, Emmanuel Macron.

Desde então, no entanto, Zemmour perdeu parte de seu apoio. Pesquisas de opinião mais recentes indicam que, se a eleição fosse hoje, ele teria cerca de 11% dos votos no primeiro turno.

A queda é parcialmente explicada pelo desgaste na imagem do político. Ele já foi condenado duas vezes por discurso de ódio no passado, após tentar justificar em 2010 discriminações contra pessoas negras e árabes e por incitação ao ódio contra muçulmanos em 2016. Ele também foi julgado em outros casos, nos quais foi absolvido.

Em outubro, o pré-candidato foi criticado ao apontar uma arma para um grupo de jornalistas durante uma visita ao Militol, um dos maiores salões mundiais dedicados à segurança, nos arredores de Paris.

“Em uma democracia, a liberdade de imprensa não é uma piada e não deve ser nunca ameaçada”, declarou à época a ministra francesa encarregada da Cidadania, Marlène Schiappa.

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