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Califa do EI quebra silêncio e pede resistência em Mosul

Abu Bakr al-Baghdadi, chefe do grupo extremista, pediu que seus seguidores "causem estragos" na cidade invadida pelo exército iraquiano

Após quase um ano de silêncio, o autodeclarado califa do grupo extremista Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, divulgou uma mensagem de áudio implorando para que seus seguidores lutem até a morte em Mosul, cidade do Iraque considerada a “capital” dos jihadistas. Há duas semanas, o território é foco de uma ofensiva de mais de 80.000 soldados do Exército iraquiano, além de tropas curdas e milícias xiitas, que buscam retirar o poder do grupo terrorista.

Confiante em uma vitória jihadista, apesar da ampla aliança de forças iraquianas e internacionais, Baghdadi pediu aos soldados que “causem estragos” no que considera ser uma guerra contra o islã xiita, “cruzados” ocidentais e países sunitas “apóstatas”. O califa também os instruiu a atacar Turquia e Arábia Saudita, potências muçulmanas sunitas, que Baghdadi afirma terem entrado na guerra contra o EI.

“Esta batalha feroz e guerra total, a grande jihad que o Estado do Islã realiza hoje, só aumenta nossa crença firme, se Deus quiser, e nossa convicção de que tudo isso é um prelúdio da vitória”, disse o chefe do EI, em gravação divulgada nesta quinta-feira. Baghdadi ainda pediu que os combatentes suicidas “transformem as noites dos descrentes em dias, causem estragos em sua terra e façam seu sangue escorrer como rios”.

A retomada da segunda maior cidade do país marcaria a derrota da vertente iraquiana de um califado que Baghdadi proclamou em Mosul há dois anos. O EI também ocupa grandes porções da vizinha Síria. Dirigindo-se àqueles que podem cogitar fugir, o califa insistiu: “Saibam que o valor de ficar em sua terra com honra é mil vezes melhor do que o preço de recuar envergonhado”.

A localização exata de Baghdadi, um iraquiano cujo nome verdadeiro é Ibrahim al-Samarrai, não está clara. Há relatos de que ele pode estar na própria Mosul ou em terras ocupadas pelo EI a oeste da cidade, perto da fronteira com a Síria. A autenticidade da gravação de 31 minutos não foi confirmada, porém, a voz e o estilo lembram os discursos anteriores do califa.

(Com Reuters)